4 meses pra virar programadora (parte 1)

Dicas pra aprender a programar (de quem aprendeu do 0 em 4 meses e caiu de cabeça no mercado de trabalho).

(link pra parte 2)

Eu não sabia o que era ser “dev” aos 18, nem quando me formei aos 24, fui aprender que era a categoria de programadores só depois de trabalhar por um bom tempo em empresas de internet.

Caí meio de paraquedas na carreira: economista, trabalhando fazia um tempo com startups (operações, comercial, processos e de tudo um pouco), com experiência fora do país e já tendo empreendido com amigos.

Acabei me mudando pro Rio pra trabalhar no Hotel Urbano como Diretora de Projetos o que acabou com os antigos donos tomando a empresa de volta (aliás, de um jeito bem diferente do que eles contaram) e a administração sendo mandada embora.

Eu até pensei em empreender de novo, mas acabei resolvendo fuxicar e aprender a programar, até porque já tinha flertado com a carreira por uns bons anos, tá em alta e eu já tinha penado no empreendedorismo por alguns bons anos. Pra quem não sabe sobra vaga de computação no mundo, ou seja, o trem tá quente, e por conta da demanda abundante muito do trabalho é feito remoto — flexibilidade, meus olhinhos brilharam.

Passei quatro meses na labuta, suando frio pra ver se ia rolar, ansiedade pura de estar só torrando a poupança, mas não é que valeu a pena? Rapidinho eu consegui meu primeiro trabalho como dev em uma empresa alemã, remota, 8 horas por dia, ganhando em dólares, e muitíssimo bem obrigada.

Até desmontar o computador velho eu desmontei. Não que isso tenha algo a ver com programar em si, mas juntei coragem :)

O caminho não foi fácil não, aliás, tiveram momentos de penúria total: não dou conta disso, esse negócio é muito difícil, com quem eu falo? Socorro!!! O próprio trabalho com a empresa alemã acabou não rolando mais (trabalhar remoto ao ser inexperiente é um caminho bem difícil, ainda mais quando não existe apoio do seu time). Mas não tem pepino não, o caminho tá só começando, e oportunidade tem demais da conta.

Como muita gente tem perguntado resolvi escrever esse artigo. Vou incluir aqui:

  • Como decidi (parte 1)
  • Aprendendo (quais os cursos, dicas, dificuldades) (parte 1)
  • Acabei o curso, e agora? (parte 2)
  • Freelance (parte 2)
  • Trabalho fixo (parte 2)

Como eu decidi mudar de área (se quiser ir pra prática pule esse capítulo)

Tá, explicando direito isso daqui: tenho 28 anos, nascida e criada em Santa Rita do Sapucaí, formei em economia pela USP em 2011, escolhi esse curso pelo “meio termo” entre exatas e humanas. Tinha feito um curso técnico anteriormente em telecomunicações,e honestamente não vi tesão na coisa.

Como economista mesmo quase não fiz nada, acabei testando e gostando muito de empreendedorismo de internet, pela velocidade e capacidade de execução ali. Passei dois anos na Rocket Internet, donos do Groupon, Dafiti e cia, ajudando-os a abrir empresas no Brasil, e depois mais um tempo no México, onde criei e gerenciei um call-center. Voltei pro Brasil e depois de uma passada rápida pelo Rio, fui pra BH abrir uma startup com uns amigos onde fiquei dois anos cuidando de operações. Resolvi sair da empresa (não estava vendo muito futuro), e entrei no time de recuperação do Hotel Urbano, onde passei 4 meses apenas, mas me diverti horrores. O Hotel Urbano acabou voltando pra mão dos antigos donos e eu saí.

Tá, eu saltei pra vários lugares e não parei muito em nenhum, mas sempre tive essa vontade de conhecer coisas novas, e então isso me caiu muito bem. Pensando bem eu gostei muito de trabalhar com empreendedorismo, rápido, entrega, movimentação de pessoas, de motivação e cia, mas por que então mudar de área?

Cara, tem alguns pontos, o primeiro e mais importante: passei 5 anos “permeando” a área de tecnologia, e me sentindo totalmente frustrada por não conseguir resolver coisas naquele lado. Sou do tipo de pessoa que faz, entrega, realiza, e ter que esperar uma fila de desenvolvimento com demandas infinitas sempre me desesperou.

Sempre brinquei que quando fosse rica ia contratar não um “personal stylist” ou trainer, ou coach, mas sim um personal dev, pra eu definir a lista e o que tinha de ser desenvolvido, como e quando. O ponto é esse, em todas as empresas que eu trabalhei, tecnologia estava virando gargalo. Achar desenvolvedores bons, inteligentes e rápidos era muito difícil, e caro. Acho que eu entendi que essa é a maior carência do mercado de hoje. Que os “bootcamps” — escolas de programação imersiva de 3 meses — que estão bombando nos Estados Unidos e na Europa chegaram até um pouco atrasadas, e que o mercado não está de maneira alguma suprindo essa demanda.

Ora bolas, eu sempre gostei de lógica, sempre fui boa de matemática, por que não eu mesma virar a resolução dos meus problemas, e ganhar uma boa bolada e uma vida — flexível — com isso?

Como assim flexível Laura?

Então, a demanda é tão grande, e o único recurso que você precisa pra programar é de um computador razoável e internet, que as empresas tem cedido e estão contratando desenvolvedores que trabalham remotamente. Não que seja o melhor dos mundos pra empresa tá, as vezes é difícil passar o que se pensa, ou os requerimentos da melhor forma possível, mas não tem muito jeito, simplesmente FALTA gente, então trabalho remoto é sim solução. Conheci na Ásia alguns desenvolvedores que estavam viajando o mundo enquanto trabalhavam — peraí, ganhar dinheiro fazendo algo que eu gosto, de onde eu quiser na hora que eu quiser? Isso grita: “TRABALHO DOS SONHOS, TRABALHO DOS SONHOS” e coraçõezinhos pulantes nos olhos.

Soma isso ao fato de meu namorado estar sendo transferido e bom, o fato de que um dia quero ter filhos, e etc etc etc. Pronto decisão tomada. Lá fui eu. Resolvi não voltar a trabalhar logo de cara e enfiar a cara em programação.


Começando o projeto programadora, e agora, o que eu faço?

Ok, vou enumerar aqui as decisões que eu tomei e o porquê delas.

1. Coworking

A primeira decisão que eu tomei e que não arrependo nem um pouco foi decidido ir pra um Co-Working. No caso não qualquer coworking, fui pro Hangar, um espaço super bacana de um pessoal do IME, que fica em Botafogo no Rio.

Trabalhar ou estudar de casa é super difícil, e eu preciso sentir que estou em um local para isso. Estar num espaço com pessoas super boas, e extremamente focadas me deu a chance de:

  • focar
  • ter pessoas divertidas com quem conversar na hora do almoço (e não ficar batendo papo com a planta na sala de casa.
  • ter que sair de casa para produzir, sair do pijama, tomar banho e criar uma disciplina de trabalho, o que foi fundamental!
Dona Flô não ajuda muito na hora de aprender!

2. Qual linguagem?

Conversando com vários amigos desenvolvedores eu fiquei super confusa. Cada um adora sua linguagem, parece time de futebol. Mas eu queria algo que eu fosse aprender e conseguisse já utilizar na prática, no trabalho. E como eu sei que a Web é uma das maiores demandantes de desenvolvedores resolvi fazer uma pesquisa no StackOverflow (principal forum de troca de informações entre desenvolvedores do mundo) e não há dúvidas: 62,5% dos programadores estão em javascript, a maioria deles trabalha e adora bibliotecas referentes a esta linguagem. Então lá fui eu.

3. Onde aprender?

Sites que ensinam a programar tem milhares. Muitos são bons, mas eu queria algo que realmente me possibilitasse entregar alguma coisa.

Eu acho que quando você faz projetos é quando você mais aprende, e também é quando você se sente mais motivado (coloquei essa p&¨% no ar uhuuulll).

Procurei então no udemy.com e achei o curso: The Web Developer Bootcamp e paguei só R$62 reais!!!!!!!!!!!!!!

Eu sei eu sei, o valor hoje está bem mais alto, mas dividi com muita gente o acesso e posso dividir com quem tiver interesse. É só me mandar um email no laurajbarros@gmail.com que eu mando o login e senha. Mas você pode fazer algumas aulas iniciais sem pagar nada, pra dar uma “sapiada”.

O que eu achei do curso:

  • Não podia ser melhor, ah podia ser em português (está em inglês), não sei se tem traduções, acredito que não, mas acho que existem outros cursos em português que devem ser bons também! Se eu achar eu coloco aqui.
  • O conteúdo básico é:
     — O que é a internet e como ela funciona
     —HTML
     — CSS & Bootstrap
     — Javascript para Frontend (você aprende lá o que é frontend)
     — Jquery (um framework de frontend)
     — NodeJs (possibilita trabalhar com backend em Javascript)
     — Banco de Dados Não relacionais (Mongodb)
     — API, JSON, e um pouquinho de linguagem orientada a objetos
  • O conteúdo é perfeito pra quem quer fazer um site inteiro (básico) do começo até o fim. Ele dá o esqueleto inteiro pra fazer algo bonito, bacana, que tem interação com banco de dados e que resolve o problema.
  • O cara é um dos melhores professores que eu já tive. Ele já deu essas aulas tantas vezes presencialmente que ele sabe quais as dúvidas que os alunos vão ter. E quando você tá lá pensando contigo: mas e…. ele já fala sobre a dúvida que você teve.
  • São 40 horas de vídeos de super qualidade. Ou seja, cada 10 minutos de vídeo tem bastante conteúdo. Eu levei mais ou menos 1 mês e meio pra acabar, passando umas seis horas por dia, 4 a 5x por semana assistindo. Ele tem exercícios também para serem feitos.
  • Como tem mais de 78 MIL pessoas já fizeram esse curso (sim!!!), tem muito conteúdo no fórum também. E caso sua dúvida não esteja lá o professor assistente também pode tirar, é só adicionar ao fórum.
  • Achei que o curso me ajudou muito a saber por onde começar, porque eu não tinha noção nenhuma e quando acabei de assistir todos os vídeos eu soube mais ou menos onde eu estava, hahaha.

Antes de qualquer coisa: o que é mais difícil de tudo na jornada de aprendizado

O que é mais difícil de aprender na programação é lidar com a sua própria ansiedade:

  • Será que eu tenho jeito pra isso?
  • Faz duas horas que estou quebrando a cabeça nesse mesmo problema e nem sei qual é a porcaria do problema!
  • Não consigo. Dane-se!
  • Com certeza tem jeito melhor de fazer.
  • Não tem ninguém pra me ajudar!!!

A profissão de desenvolvedor de software geralmente envolve você e sua máquina. Mas tem muita gente na mesma situação, e as comunidades de desenvolvimento (telegram, facebook, whatsapp, stackoverflow, github) são super bacanas e estão super abertas pra ajudar todo mundo, principalmente quem está aprendendo.

Não é mole, mas definitivamente é prazeiroso!

Acho que o maior desafio na vida é sua própria cabeça, sempre. Então saiba que:

  • é difícil sim, mas com o tempo você vai aprendendo a descobrir os erros melhor
  • tem mais gente na mesma situação, vá atrás destas pessoas;
  • respire fundo e foque! Vai ficar tudo bem!!!

(parte 2, como eu consegui trabalho!)