Acabou. E agora?

Entender o fim e aceitar são duas coisas completamente diferentes e que não se misturam. 
Eu tenho consciência de que acabou, sei lá no meu interior que foi melhor assim, eu entendo muito bem o que isso quer dizer, quer dizer que não tem nada que eu possa fazer. Não tem solução, não tem mistério ou palavra escondida nas entrelinhas, acabou, simples, prático e decisivo, é o fim. Eu realmente entendo isso, entendo que quando chega o momento do ponto final, quando uma parte para, uma parte não consegue mais ir adiante e diz, que vai ir embora, não tem como pedir pra ficar, isso deveria ser automático, a ideia de ter que pedir pra alguém permanecer ao meu lado só machuca mais, só destrói mais o que já é ruína.
 Deveria ser lei, quando alguém vai, aceitar e deixar ir, porque mesmo sendo esmagador ter que aceitar o fim, pedir pra alguém permanecer ao nosso lado é dez vezes pior. Porque quando alguém decide que não pode mais ficar é porque realmente não quer, e quando um não quer, não adianta implorar, não adianta fazer birra, o que se faz é deixar ir. 
Mas... Chega a outra parte, a parte de aceitar o fim, a parte que aceitamos que não tem volta, a parte que aceitamos no nosso interior que a história já não existe mais para o outro, quando forçadamente temos que aceitar que o outro não sente mais, que amar sozinho é solidão, que amar sozinho é dor. Isso não é fácil, e talvez não aconteça de primeira, talvez quebre tudo, talvez passe uma semana ou 5 chorando e tentando entender como uma história que tinha tudo pra dar certo, deu errado, talvez se afunde no mundo das lembranças e fique lá, perdido em tudo que poderia e não aconteceu, se agarre a não conseguir viver sem, se prenda a tudo que viveu e não consiga imaginar viver sem. Talvez isso aconteça. Talvez seja mil vezes pior do que todas essas coisas que eu citei, mas por pior que seja, isso não é errado, não é errado querer que tudo volte, não é errado se perder e chorar, não somos de ferro e quando acaba, temos todo o direito de nos deixarmos sangrar e doer, é inevitável doer, é inevitável não conseguir parar de pensar porque ninguém tem o botão dá amnésia, ninguém consegue tomar chá de esquecimento e não lembrar mais, lembramos, e dói saber que o que queríamos não aconteceu, dói aceitar que temos que aceitar o fim, também dói aceitar que esse é o único caminho.
 Dói não poder amar por dois, e nos sentimos fracos e acabamos esquecendo que tudo isso faz parte. Faz parte amar e dar certo, e terminar no famoso casamento e final feliz, mas também faz mais parte ainda, o não final feliz. Ele é mais comum e muito mais dolorido. Mais comum, mas nunca o esperado. Talvez esse seja o pior de tudo, a gente nunca tá preparado pra ser deixado pra trás, ainda mais quando sentimos tanto pela outra pessoa, nunca estamos preparados pro momento que o outro vai parar e nos dizer que não sente mais, que não pode mais ficar, isso nunca vai ser esperado. 
Mas, infelizmente, é assim que aprendemos que nem tudo é como a gente quer, não controlamos o mundo, e muito menos os sentimentos dos outros, ninguém é obrigado a gostar dá gente, ninguém tem que se adequar às nossas expectativas, somos seres únicos e por isso, nunca vamos poder ditar ou mudar os sentimentos dos outros para o que queremos.
Eu enrolei, coloquei muitas vírgulas e reticências, mas o que eu gostaria de dizer é que não é fim do mundo, pode doer agora mais vai passar, o eterno clichê, tudo passa, é verdadeiro. O carinho e as lembranças ficam, mas isso não nos impede de juntar os caquinhos e seguir em frente sozinhos, e talvez, nesse meio tempo, seja a hora perfeita para nos encontrarmos e aprendermos que antes de qualquer amor, o próprio é o único que deve ser preservado. 
Posso dizer, o fim dói e não é pouco, mas quando paramos de remar contra o inevitável, ele faz mais bem do que mal, quando aceitamos que ele vem mais para ajudar e pra reavaliarmos nossas prioridades, tudo flui mais fácil, demora, talvez pouco ou muito, mas ele sempre vai fazer bem. 
O fim, é um risco que todos corremos, mas nem por isso é feio, ele é muitas vezes o início de tudo.