a parte desconexa do pergaminho

não sei quem te disse
“a gente” e não cumpriu
mas não quero que se sinta sozinho
quando por dentro fizer frio
queria que você soubesse
gosto muito de você, viu?

pensou que ninguém te ouviu
mas eu estava detrás da porta
se na calada da noite se sente vazio
que seja minha a palavra que te conforta
quando parece que ninguém se importa
quando parece que a gente não suporta

não sei com qual velocidade
desfaço teus nós e até se desfaço
mas sei que viajo
nesses teus laços
e na sua percepção da vida
ingênua, desprecavida
que me leva ao espaço
e me contagia

me leva pra divagar
como se pegasse pela mão
me sinto leve e vou navegar
pela sua imaginação
já virou inspiração
o seu jeito de ver o mundo
na vida real, isso é tão natural
nem parece ser tão profundo

poesia é sentimento
que aproxima pessoas inversas
com o melhor que têm por dentro
com a intimidade que não traz
uma hora de conversa
que sempre satisfaz
gente sem jeito
gente com pressa

não sei em qual grau
o que você escreve é real
mas vim te dizer
assim, na cara de pau
joga fora a arma cromada, namoral
o mundo merece a sua risada 
a gente aproveita e ri juntos
quando o tudo virar nada

talvez eu seja muito sensível
e tenha um coração honesto
tenho mesmo, isso eu confesso
e te acho incrível, sem excesso
te digo de peito aberto
ignore os boatos
de todos os chatos
e pode chegar mais perto