então eu disse:

mas se você voltar comigo agora, eu largo todos os contatinhos -eu falava sério- mas não tão convicta de um sim pra levar a cabo a exclusão total da agenda

ele riu, porque sei que dentro da cabeça dele, me vê como truqueira.

ele levantou o alto das bochechas enquanto jogava um pouquinho da cabeça pra trás, e o cabelo balançava.

eu repeti: eu tô falando sério

então me respondeu como uma provocação: Até G.?

G. é sempre um problema, até imaginava que essa pergunta viria, mas que viria pelas camadas intuitivas, no silêncio que produzia cheio de intenção. Mas verbalizada, tomou uma grande cara de destino.

eu deixaria G, claro, não com tanta facilidade quanto parecia, era como um marido, ou mais como uma idealização de marido do que um verdadeiro, já que na forma de sua presença ele é a sombra da sombra de si, e tem medo de coisas que um marido não teria porque ainda é só um menino.

dei um risada mais longa, expansiva só que silenciosa em forma de resposta.

F. me respondeu “quero só ver então”, como um bom telepata e colocou seu braço em volta de mim e aproximou meu rosto do seu peito.

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