Um por todxs e todxs por quem?
mariana alvares
9410

Mariana, concordo com a problematização do uso do x, mas achei pesadíssimo afirmar que palavras são arbitrárias, que o que conta é a intenção e esse argumento de que traduções não manteriam o sentido de um texto se palavras significassem isso tudo.

Vamos por partes: se tem uma coisa que palavras não são é arbitrárias. Na tentativa de representar o mundo por meio de palavras, estamos frequentemente reproduzindo sentidos sobre o mundo. Um exemplo batido é a clássica “menino não chora”. Uma frase assim não está apenas dizendo que chorar é algo que meninos não fazem, está principalmente ensinando meninos a não chorarem, porque isso não é algo que se faça sendo menino. O mesmo serve pra “mulher não joga futebol” e por aí vai.

Em segundo lugar, acho totalmente furada essa coisa da intenção. O racismo, por exemplo, é institucional e, por isso, é comum reproduzir falas racistas (palavras nada arbitrárias, carregadas de muito sentido), sem intenção. Não ter tido a intenção não isenta ninguém de nada da mesma forma que pisar no pé de alguém sem querer não cancela a dor que a pessoa sentiu no pé pisado.

Por fim, achei curioso o argumento da tradução, especialmente porque isso é algo sempre discutido em meios de tradução (cursos, palestras etc.). A impossibilidade de manter todos os sentidos em uma tradução é um fato que vive sendo debatido. Daí existe até o termo “lost in translation”, sobre aquelas coisas que simplesmente não conseguimos passar pra língua alvo e acabam se perdendo na tradução.

Enfim, gosto do(s) seu(s) texto(s) e apoio essa crítica ao uso do x, mas não poderia discordar mais desses argumentos que usou no início do texto.

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