Hystrios

Hystrios andava elegante às ruas de Atenas todos os dias, tão bonita que poderiam compará-la a Cleópatra. Sua beleza encantava, conquistava, assustava. É melhor ser temido do que ser amado. Mas ela queria os dois.

O problema, porém, era exatamente esse.

Hystrios era belíssima, tão bela que costumava alimentar a ilusão de ser mais querida do que a rainha. Seus cabelos escuros e olhos verdes podiam lhe parecer repletos de infortúnios, mas ela sabia que, se os outros não os vissem, ela também não os veria.

O espelho do mundo são os olhos dos outros.

O espelho do mundo são os olhos dos outros.

Que, assim como Maquiavel, não exatamente amavam-na, mas temiam. Hystrios era egoísta e a humilhação lhe era um verdadeiro divertimento. Queria tanto se sobressair em meio à multidão que mais parecia uma figura solitária, pois sua vida era uma competição, e, sua beleza, uma borracha que excluía todos ao seu redor.

Um dia, então, Hystrios voltou sozinha para casa. Arrancou a máscara de sua maquiagem, suas roupas, o espartilho.

Se olhou no espelho.

Não era uma rainha.

Não era querida.

Era uma mulher de cabelos escuros e olhos verdes repletos de infortúnios. Que havia esquecido-se de quem realmente era.