Ouvi sirenes. Você, quem já não saia da minha cabeça, me fez te procurar no escuro do meu quarto novamente. Você nunca está aqui, pensei enquanto as sirenes continuaram a tocar. Onde você está? Está bem? Não fez nenhuma besteira, né? Te pedi para não fazer… é, eu sei. A gente se pediu tanta coisa. A sirene ainda não parou.

— não seja uma ambulância, por favor, que não seja uma ambulância. Por favor, que ela não esteja dentro dela.

Não vai. Ainda não terminei de te gostar. Não vai. Não pode ser que todo este sentimento tenha que se romper assim. Não vai… ainda é tão cedo.

A sirene parou, acho que era de carro. Pelo menos, prefiro me convencer que seja um alarme do que um aviso. Mas acho que foi um aviso. Aviso que deixa claro que não vou te esquecer, que não vou te odiar nem até segunda que vem, que não vou conseguir deixar ir embora quem eu quero tão perto. Por mais que eu deva…

Porquê você fez isso com a gente? É o que me pergunto todo tempo. Porquê? O que eu fiz para merecer isso? Nada justifica. E eu continuo questionando o porque. Eu fico querendo uma resposta que não tem. Talvez tenha… mas você nunca vai me deixar saber. Funciona assim com você, só sei o que você deixa eu saber. Sei que nada se encaixa nessa tua história, sei que está mentindo. Você não se arrependeu. Você não voltou de imediato. Tua bebida tava boa? Ele olhou tuas pernas enquanto se sentava e o vestido subia? Abraçou e beijou no rosto.

Eu não te odeio. Nenhum pouco. Tenho raiva e mágoa, são palavras menos pesadas mas sabe… eu preferiria te odiar.

Tenho raiva por não ter dado valor às chances que te dei. Tenho raiva por ter jogado o que demorou para ser construído em apenas uma noite. Raiva por ter feito me questionar tudo que ja vivemos e tudo que você ja disse sentir. Raiva por ter me feito ir contra todas os meus princípios pra te ter mais uma vez, por pensar que você não presta. Raiva porque mesmo depois de tudo que fez e é, eu ainda não consigo te deixar totalmente. Sempre tem algo que me prende, que me puxa.

Não te odeio. Mas queria odiar. Pra virar a esquina e não pensar em voltar pra te abraçar e gritar “FICA!”

Não vou te perdoar. Não vou conseguir te olhar da mesma maneira ou te tocar sem sentir repulsa. Mas vou te levar sempre comigo. E sempre sentir falta das nossas conversas. Sempre querer ir dormir e acordar com sua respiração do outro lado.

E não devia mas vou confessar… ah, como estou ansiosa para a próxima vida! Espero te encontrar e que dessa vez dê certo. Falhamos nessa. Não tem volta. Por mais que eu queria que tivesse, estaria apenas cobrindo os buracos em minha frente mas eles continuariam ali. E eu caindo neles todas as vezes.

Preciso ir embora para ter a chance de viver sem cair nas tuas crateras e morrer nelas. Mas quem me deixa, é você.

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