teus efeitos colate(naz)rais.

eu sempre repetia que eu me encontrei tanto em ti, que se tu fosses eu ficaria perdida, mas eu não sabia que ficaria tanto.

era terça, e enquanto eu olhava pra janela aguardando a digestão do almoço — que por sinal era teu prato preferido — veio uma estrofe inteira de mais um texto que eu escreveria na intenção de te remover de mim. não por mal, mas eu preciso saber um jeito de tirar o teu sorriso da minha mente, tua cabeça do meu ombro, teu perfume que grudou em mim — e que não quer mais sair — e tu do meu coração.

eu insisto em falar pra mim mesma todos os dias que nosso fim chegou, que nós realmente explodimos e transformamos em cinzas a nossa relação. que todos aqueles sentimentos que conseguimos descobrir juntos se foram e eu continuei aqui, intacta. — eu juro, eu tento todos os dias. simplesmente eu não consigo acreditar.

intacta, porém: partida, espatifada, fragmentada, estilhaçada, despedaçada, dividida, fraturada, rompida, danificada e parada no tempo. — exatamente depois daquele nosso último abraço de um fim de semana que ficou tatuado no meu coração.

e doí, cada dia que passa eu sinto a dor de cada agulha entrando no meu peito desse desenho feito por ti. passaram-se alguns meses e eu não consigo acreditar que as agulhas ainda estão na sexta quando tudo começou.

era cedo e tu já se encontravas com uma beleza de que as pessoas param e perguntam: como é que pode alguém ser tão bonito assim essa hora? — era o que eu me perguntava toda vez que te via virar o corredor e vir em minha direção, por um ano. mas ainda me questiono, como hoje, tu tava a coisa mais linda do mundo com essa carinha de sono. — as horas voaram, já era almoço e mais uma vez minha mãe te roubava de mim — cara, ela te adora demais e também sente tua falta.

a gente ria, conversava, ria e conversava rindo, como todos os nossos momentos sempre foram. tu querias ir pra festa e eu só queria passar à noite inteirinha te olhando de perto pra tentar achar um defeito em ti que pudesse me tirar à ideia te de amar tanto assim e mais uma vez, falhei.

cada gargalhada que tu davas, cada gesto que tu fazias e cada palavra tua que eu ouvi me fez te amar mais. — eu realmente acho que tu tens um imã diferente, as pessoas se atraem por ti e não conseguem te desgrudar nunca mais, é feito cola, permanente. e de mim, grudou e não saiu mais.

pisquei e já era domingo à noite, tu já ias embora. resolvemos ver um filme, depois mais um e seguimos pr'outro. não me lembro das histórias, nem dos títulos, muito menos das cenas, mas não me esqueço dos teus olhos, que ficavam me fitando toda hora. lembro também dos arrepios, da tua voz doce que entrava nos meus ouvidos — definitivamente, meu som favorito. — do teu sorriso e do teu cabelo todo desajeitado. tu fosses embora, no entanto, tua metáfora ficou em mim.

você é fogo e eu sou pólvora. — nós nos abraçamos, colidimos e explodimos.

esse foi o nosso fim.

tu sempre disse que o fim iria me destruir mais do que a você porque eu sou frágil como os prédios bombardeados na Síria.

e eu estou aqui, parada desde o dia 31 e resistindo, igual o Estado Islâmico.

me auto bombardeando,

grito: tu vai sair.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.