Finalmente

Sempre chega o dia em que eu percebo que toda a dor e incômodo que estou sentindo vem só de um carrapato. Em uma manhã qualquer eu acho a fonte de toda a minha angústia encravada na minha pele. Esse bichinho tosco que, nutrido com meu próprio sangue, está cada vez maior, mais forte. Como se eu acendesse a luz depois de um longo pesadelo, eu finalmente esmago ele entre meu dedo e minha unha, sentindo toda a sua miudeza se explodir na minha carne, se transformando em pedacinhos de alívio e realidade. “Meus Deus, era isso? Era só essa pequena aberração que estava sugando toda a minha energia? Como eu deixei, como não percebi, como não me livrei antes?”. Aí passa, eu respiro, viro para o lado e volto a ser eu mesma. Todo carrapato, problema, drama, pior coisa do mundo, amor ou o que seja, um dia morre, pequeno e insignificante.

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