
O sol voltou pela manhã
e eu clamei por piedade.
Por que a cama me prende
como se eu não devesse,
como se me mataria se eu saísse?
E matou.
Todos os dias eu choro pela parte que me falta,
que no fim é quase o todo.
Nunca demonstrar exaustão,
dizer bom dia,
fazer piadas sobre o tempo.
Mas todos os dias,
trancada e segura,
desmonto e deságuo.
Nesta noite eu quis escrever:
nenhuma linha sai.
Eu quis rabiscar minhas paredes:
minhas mãos não lembram como segurar o lápis.
Eu quis gritar:
minha boca cala.
Eu quis morrer:
mas novamente o sol nasce
e eu clamo por piedade.
