Eu errei quando me tornei escritor

Lauro Kociuba
Jul 30, 2017 · 3 min read

Dia sim, dia não, alguém me pergunta o porquê de eu ser um autor independente.

Minha primeira resposta é que isso foi uma opção, complementada por dizer que não, não foi a última opção. Longe disso.

Mas devo dizer que eu errei.

Eu comecei a escrever meu livro com 29 anos. Errei porque demorei demais para começar a escrever, errei porque achei que tinha demorado demais. Era a primeira tentativa de escrita, de uma pessoa desconhecida, quase sem contatos no mundo editorial, tateando o mundo da produção literária. E demorei a aprender que toda hora é certa.

A questão é que, quando eu comecei a escrever, percebi que era aquilo que eu queria. Eu podia sentir a história fervilhando dentro de mim e as palavras tentando tomar forma, eu me achava velho demais para começar isso, nossa noção de artistas talentosos é que eles sempre começam quando criança. Além disso, minha cabeça não sabia direito como fazer e eu acabava gaguejando o texto, engasgando as ideias e tropeçando nas letras. Mas a questão é que eu me forçava a continuar o texto, pois não sabia fazer diferente, nem sabia como aprender a fazer.

Eu errei muito, e me permiti errar.

E é por isso que eu decidi ser independente. Quando me encontrei como escritor, decidi que seguiria aquele caminho; que não importa o que acontecesse, eu escreveria e, mais do que isso, seria lido. Então continuei produzindo como eu sabia, contando a história com o que eu tinha e acreditava. E terminei. Tentei aprender ao máximo, olhando, conversando, esmiuçando e estudando.

E errei muito, novamente, e me permiti errar.

Hoje, eu teria feito muitas coisas diferentes. Mas se eu tivesse esperado, não faria nem do mesmo modo. Ter ousado, entendido que iria errar e aprender com isso, fez toda a diferença e permitiu que eu me descobrisse. Aceitar que você erra, ter consciência plena e real disso, faz com que seus olhos e coração estejam abertos para receber os erros e aprender com eles.

É óbvio que você não vai ver todos os seus erros sozinhos, se fosse assim não os teria feito no começo. Aceite que você precisou se permitir errar, mas os outros não precisam, e entenda que são eles que vão mostrá-los a você. Seja bom quando lhe elogiam, e mais ainda quando lhe criticam, aí que moram seus professores, sua evolução, e isso merece um sorriso sincero.

Eu tinha consciência disso, e, talvez por ter demorado tanto a descobrir o que amava fazer, eu tinha pressa demais. Pressa para ser lido, para aprender, evoluir, e por isso eu ousei e publiquei de modo independente. É claro que gostaria de uma editora para me ajudar a crescer, mas não queria/podia esperar.

Então errei muito, outra vez, e me permiti errar.

Aprendi sobre autopublicação, sobre profissionais do livro, sobre livro, sobre escrita. Eu cresci tanto nesse caminho que hoje eu erro um pouquinho menos, mas a cada frase, a cada texto, a cada esforço, eu me permito errar. Tentar não é errado, esperar acertar tudo é que deveria ser.

Sinto cada vez mais prazer em escrever, e é cada vez menos incômodo me forçar a aceitar que não vou ser perfeito, isso ajuda demais a evoluir. A liberdade sempre é relativa e limitada, claro, mas a busca dela deve ser o mais plena e infinita quanto consigamos acreditar.

Hoje não me sinto tão velho quanto quando comecei. Hoje não tenho tanto medo de errar quanto quando comecei, apesar de errar o mesmo tanto, em outras coisas. Hoje me preocupo menos com o objetivo e mais com a jornada, menos com o fim e mais com o miolo.

Permita-se errar. Ou, se preferir, chame os erros de professores e aprenda. O mundo não precisa de pessoas perfeitas (até porque elas não existem, seu eu de amanhã vai perceber vários erros no seu eu de hoje), ele precisa de pessoas que façam. :)

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade