Sobre o Brasil.

Não importa quantos assuntos eu tento escrever aqui, eu sempre volto para o Brasil. Então resolvi parar de tentar nos invisibilizar e falar sobre exatamente isso.

Me desculpo desde já, caro leitor, pela confusão de sentimentos (e motivos e palavras) que o assunto que esse texto abordará vai me trazer. Eu sou meio caos as vezes.

Vivendo no Brasil minha vida toda, eu sempre senti que de algum jeito eu existia. Eu sentia que o Brasil, por mais que todo mundo falasse super mal dele, existia. E isso é um super privilégio, fico imaginando como deve ser, ser de um dos mais de 100 países do mundo que ninguém nem sabe que existe. Que é apagado todos os dias e confundido com algum país maior, dado como algo pequeno, insignificante.

Porém quando vim pra cá, percebi mais que nunca que a gente não é nada expressivo quanto achamos que somos, e isso é bem problemático. Nossa invisibilidade para a Europa, é, para mim, absurdamente errada, e vou explicar porquê.

Primeiro, acho importante falar que as pessoas sabem que o Brasil existe (e voltando ao penúltimo parágrafo:isso é um baita de um privilégio! Não estou, de jeito nenhum, descredibilizando isso). Mas elas sabem que o Brasil existe, assim como a gente sabe da existência de, por exemplo, a África Do Sul; é um país que a gente sabe de nome (e sempre mencionamos quando se fala da África, pra tentar fazer parecer que conhecemos algum país), mas não sabemos o que tem, é um país que a gente sabe que tá num continente bem subdesenvolvido, mas não procuramos saber a história, ou entender os motivos pra ser como é.

Além disso, uma coisa que me incomoda muito é: o único nome pros Estados Unidos aqui (e em grande parte de Europa), é "América". Enquanto isso não é nada de anormal para nós e a princípio parece algo nada problemático, eu quero chamar atenção mais uma vez da invisibilidade que isso nos causa.

A partir do momento que um país ganha o nome de um continente inteiro, você tá o colocando como a "capital" do mesmo, como o mais importante, como o dono, o que importa.O resto vira só resto, o resto vira intruso.

Na Dinamarca eles aprendem que a América na verdade são dois continentes: a América do Norte e a América do Sul. Quando ouvi isso fiquei super intrigada (mas e a américa central?) e, pesquisando, descobri que as duas Américas se dividem no canal do Panamá. Resolvi perguntar pras pessoas e elas simplesmente não sabem onde que as Américas são divididas, só sabem que existem duas e resumem a América do Norte aos Estados Unidos e a América do Sul a todos os outros países, já que "todos eles falam espanhol e são pobres", como me disse uma menina, que por algum motivo achava que eu era da França.

Esse texto inteiro vai ficar meio sem conclusão, mas é pra convidar quem quer que esteja lendo isso, a uma reflexão e um pedido gigantesco para que tentemos (por mais difícil que seja) não invisibilizar países. Não resumir todo um povo a um esteriótipo sem nem entendermos a história dos mesmos. E, além de tudo, convidar todos nós a pensarmos em como os Estados Unidos colocam a si mesmos e o resto da América diante do mundo.

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