Para ser, basta existir ou tem que conectar?

Tive recentemente uma aluna que não tinha uma conta no Facebook. E isso era visto, até por ela mesma, como algo excêntrico, um comportamento anarquista (para alguns até insensato) em uma sociedade altamente conectada e exposta. Durante alguns momentos, todos na aula discutiram sobre isso e de que forma esse posicionamento estaria decretando um não-pertencimento em diversas esferas sociais ou apenas uma consciência e o direito de não compactuar com a ultra-exposição à qual fazemos a apologia diariamente.

Raras foram as opiniões equilibradas sobre esse fato (e aqui vale ressaltar que “opiniões equilibradas” é uma análise minha, levando em consideração meu universo de conhecimentos e minha capacidade ou incapacidade de entendimento do fato). Ou seja, o relativismo das interações digitais.

O que muitos enxergam nesse cenário contemporâneo é o compartilhamento e exposição da própria vida como tentativa de interação. Outros, todavia, que provavelmente seja uma busca para evitar uma solidão, um esvaziamento das relações (presenciais ou não) que fica encoberto com a onipresença nas redes.

Estaríamos vivendo uma adolescência virtual, até pelo fato da própria comunicação ubíqua ser adolescente?

Estamos permitindo que a onipresença virtual ocupe um espaço vazio que a lucidez da nossa finitude promove e que incomoda? E por isso fugimos dela o tempo inteiro?

Inconscientemente buscamos fagulhas que acendam um sentido para as nossas vidas?

Temos conexão o tempo inteiro e nossas atenções estão fatiadas em diversas atividades. Nossas atenções transformaram-se em uma espécie de “foco parcial constante” que resulta na superficialidade de interações e execução de atividades. Até mesmo de conversas cheias de lacunas de entendimento, já que basta olhar para pessoas conversando em restaurantes, bares, praças, reuniões, para perceber que sempre há uma ou várias com a atenção voltada para os dispositivos móveis que carregam.

O problema não é usar a tecnologia como ferramenta de aprimoramento de nossas incapacidades diante de um cenário de excesso de informações. O problema é delegar à tecnologia componentes e capacidades humanas conquistadas ao longo da evolução da espécie em detrimento do potencial interativo e intelectual que temos.

É certo que desenvolvemos, principalmente as gerações mais recentes, novas capacidades e competências cognitivas. E o questionamento que faço é: para onde estamos indo? Evoluindo em direção à multitarefa sem prejuízo qualitativo nas ações ou mergulhando numa realidade onde estaremos todos plugados e dependentes das interações sociais digitais para estabelecer um sentido de existência? E há alguma diferença entre as duas opções?

Essa aluna que comentei deve manter essa postura?

Queria tanto saber essa resposta…