Carta aberta ao meu amor (próprio).
Então, até aqui.
Eu prefiro ser verdade. Por mais que te doa. Por mais que te afaste. Por mais que te enoje.
Eu prefiro ser verdade mesmo que isso custe, inevitavelmente, a perda do interesse que você tinha por quem ousou acreditar que eu era. Eu prefiro ser verdade por mais que isso faça com que você me encare, durante breves segundos, procurando os fragmentos de quem você gostaria de ver — e por mais que saber disso me machuque — mas não encontra. Por essa noite, amor, eu prefiro ser verdade porque eu vasculhei todas as minhas redes sociais, compulsivamente, em busca de algo que justificasse seu apogeu. E, porque eu não achei nada — e achei tudo —, apaguei todas as minha fotos do Instagram, tranquei o meu twitter e deletei os posts que expunham demais o lado (que também é meu) que eu achava que poderia ser desagradável para você. Depois, cansada de procurar brechas nas fotos em que eu fiquei meio torta, meio gorda, meio vesga, meio feia, eu comecei a me olhar no espelho em busca daquilo que o celular não me respondia e, por isso, sangrei um sangue único. Sangrei um sangue que te enoja, que te afasta, que te contaria... Somente por ser meu!
Então, para você quem não tem nome e nem direito a tais palavras, eu prefiro ser uma verdade inteira hoje, porque estar sendo eu-metade me machuca. Prefiro ser verdade porque, mesmo depois de toda essa mentira, eu ainda sou eu e, sendo eu, não há nada que te faça voltar, nem mesmo essa personagem que criei.
Adeus.
