Revoluções Burguesas

A burguesia começou a ganhar espaço com o fim da idade média onde as cidades se intensificaram. Demorou muito tempo para que essa classe social ganhasse prestígio, já que por muito tempo foi considerado feio o ato de ganhar dinheiro com o comércio. Porém, ganhar dinheiro é o que todo mundo quer, e a partir do momento em que o mercantilismo ganhou peso, provou-se que o comércio era o método mais interessante para se ganhar dinheiro, a burguesia fazia cada vez mais sentido.

Com toda a crise que a Igreja Católica passou através da decadência da idade média e as seguintes reformas protestante, devagar as pessoas perdiam seus fortes costumes de frequentarem a Igreja. Sendo assim, com a forte influencia do renascimento, alguns pensadores começaram a questionar alguns fundamentos da igreja, eram os homens considerados esclarecidos, ou seja, iluministas.

Na mesma época, ou seja, no século XVII, um pouco antes do movimento iluminista, lá na Inglaterra, a Dinastia Stuart absolutista (anglicana) reinava. O rei Jaime I tentou frear a economia dos burgueses e cobrou impostos, assim como se envolveu em revoltas religiosas contra puritanos. Já que estava em tensão com a burguesia, dissolveu o Parlamento.

Seu filho, Carlos I assumiu e tentou lutar a favor do absolutismo de seu pai, reabriu o parlamento com aumento de impostos, não deu certo, fechou. Entrou em guerra com os escoceses e precisou reabrir o Parlamento para que lhe fosse concedido empréstimos já que as guerras estavam lhe custando dinheiro. Para isso, o Parlamento apresentou a Carta Magna que dava aos parlamentares poder político e econômico.

O rei negou e novamente fechou o Parlamento. Os burgueses ficaram revoltosos e iniciara assim a primeira Revolução: A Puritana, onde os burgueses se dividiram entre Diggers (queriam a reforma agrária) e Levellers (queriam a liberdade religiosa), eram os cabeças-redondas (burgueses) que lutaram contra os cavaleiros (nobres) e conseguiram chegar ao poder em 1649 assim que o rei foi assassinado. Oliver Cromwell foi o líder ditador que conseguiu a supremacia para a parlamento que dura até hoje. Logo anunciou o Ato de Navegação que permitia a construção com isenção de impostos de navios assim como só permitiria navios ingleses ou amigos no seu porto. Com isso, a Inglaterra se tornou uma potência naval.

Porém, a ditadura de Oliver Cromwell se enfraqueceu por dirigir a Inglaterra de forma autoritária e severa. Os próprios parlamentares já não o queriam mais no poder. Sendo assim, a Dinastia Stuart ganhou espaço para voltar, desde que deixasse o parlamento aberto. Porém, ouve uma tensão religiosa já que no poder estava um rei católico, e não um protestante. A pressão do Parlamento fez com que o rei fugisse e Maria e William fossem coroados. Para isso, foi declarado o Bill of Rights, a declaração de direito em que afirma o rei estar subordinado ao Parlamento.

Esta foi a Revolução Gloriosa, por ter acontecido com pouco sangue, na base da pressão. É importante lembrar que a eleição ocorria de 3 em 3 anos para eleger um novo líder, a liberdade de expressão foi aceita, assim como a de culto. Houve a criação dos bancos e a divisão dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Perceba que a família real existe até hoje, mas não é absoluta, pois está sob o poder do Parlamento.

Muitas das ideias iluministas foram influenciadas pela Revolução Inglesa, uma vez que era liderada por burgueses. O ideal iluminista se baseava na racionalidade, na igualdade entre as classes comerciantes, na liberdade política, no fim do antigo regime e no fim da sociedade estamental.Os iluministas eram considerados homens esclarecidos, pois lideravam um movimento de ideias artísticas, cientificas e filosóficas.

Alguns reis se modernizavam com medo de uma possível tomada burguesa, eram considerados Déspotas Esclarecidos, mas vale lembrar que apenas algumas questões eram adaptadas, é claro, aquelas que beneficiavam o rei também, como por exemplo o apoio ao acumulo de capital.

John Locke foi um iluminista famoso por fazer críticas políticas e econômicas e defendeu que os cidadãos teriam direito a solicitar a retirada de um governante quando fosse necessário. É uma ideia interessante a respeito de democracia. Adam Smith era a favor do liberalismo econômico. Voltaire, queria a separação do Estado da religião. Montesquieu, escrevia muito sobre leis e constituição. Rousseau, apoiava o voto universal e a educação pública para todos, livre da religião.

Percebe-se que esses filósofos possuíam ideias novas e revolucionárias para a época. Neste momento, é grande a representação de que a Igreja já não tinha tanta moral, embora muitos ainda eram religiosos e tentavam de certa forma explicar a fé através da ciência. O importante é que essa burguesia iluminista influenciou diversos movimentos pelo mundo, como por exemplo a Independência dos EUA que influenciou também outras independências, e a Revolução Francesa, tanto quanto a Industrial.

A Independência dos Estados Unidos só aconteceu na época pela influência iluminista e pelos abusos Ingleses na região. Na região sul dos EUA era onde se encontravam os colonos, onde a exploração era grande, parecida com a exploração no Brasil da época. O Canadá tinha sua maior parte dominado pelos franceses. A Inglaterra em 1763 conseguiu expulsar os franceses e recuperar várias terras, mas para isso precisou aumentar os impostos dos colonos americanos.

Assim, começou uma série de abusos em relação à colonia. Primeiro, a Lei do Açúcar, que não valia só para o açúcar em si, pois obrigava os colonos a comprarem alguns vários produtos somente da própria Inglaterra, agora eles não poderiam mais comercializar entre si. Depois, a lei do selo foi mais um modo de taxar os produtos que os americanos compravam. Com isso, os EUA começaram a boicotar a Inglaterra. Vale lembrar o evento em que americanos jogaram toda uma carga de chá ao mar. Revoltados, os ingleses instauraram as leis intoleráveis, onde os americanos teriam que pagar todo o prejuízo do chá jogado fora.

É claro que o que aconteceu foi estourar uma guerra entre os dois países. A colonia só conseguiu vencer a Inglaterra com a ajuda da França e da Espanha que também tinham atritos com os ingleses (Tudo liderado por Benjamin Franklin). A tática era a Guerra de Guerrilha, onde os colonos se escondiam no mato e usavam armas poderosas. Com o Congresso da Filadélfia, em 4 de julho 1774 a Inglaterra reconheceu a Independência dos Estados Unidos da América.

Os Estados Unidos implantaram a República Federalista Presidencialista, que influenciou diversos países a fazer o mesmo, inclusive o Brasil. A Carta Régia foi sua primeira constituição que garantiu liberdade política para cada estado americano, e assim é até hoje no país. Por isso, o voto presidencial é contado por estados.

Na França, o período era turbulento. O rei Luiz XVII havia se envolvido na guerra de independência dos EUA, a agricultura da região estava prejudicada por tempos de seca e pela erupção de um vulcão. Os abusos do Clero e da nobreza e a fome que se alastrava na França aumentaram as tensões entre burgueses e a nobreza. Com o intuito de distrair os burgueses, o rei convocou a Assembleia Geral onde permitia que tanto nobres quanto burgueses teriam direito à voto porém é claro que o rei e a nobreza eram maioria, sendo assim, os burgueses tinham a falsa impressão de estarem participando da política quando na verdade não estavam.

Percebendo o engano e tentando uma mudança, os revoltosos tomaram a Bastilha, uma prisão que continha armamentos. Soltaram os presos e saquearam toda a munição, o pavor se alastrou em toda a cidade, e os sans-culottes (burgueses mais pobres e radicais)protagonizaram a Noite do Grande Medo, onde a pressão popular foi tão assustadora que alguns nobres fugiram, e os que ficaram tiveram que aceitar a imposição burguesa.

A medida burguesa foi implantar a Assembleia Constituinte com a obrigatoriedade do Clero e da Nobreza de pagarem impostos, com a Declaração de Direito do Homem e do Cidadão que dava ‘’igualdade’’ jurídica, política e econômica aos homens e com o confisco de bens do Clero. O voto seria censitário entre os homens. O rei continuaria a governar em uma monarquia constitucional. O rei Luiz e a rainha Maria Antonieta tentaram fugir para a Áustria, e como foram descobertos foram presos por traição.

É claro que a Europa na época como era toda absolutista, os reis locais começaram a achar a burguesia no poder uma afronta. A Rússia e Prússia, por exemplo entraram em guerra com a França e tiveram o apoio da Inglaterra não em defesa do absolutismo e sim pela rivalidade entre os dois países. Foi aí então que a Revolução Francesa acabou ganhando um caráter ecumênico. Pois teve que se unir para ultrapassar suas fronteiras. É importante saber que neste momento nobres, burgueses e camponeses se uniram contra os invasores e que entre os burgueses existiam subdivisões. Os Girondinos por exemplo eram os burgueses mais ricos e conservadores. Os Planícies eram os neutros, e entre os mais radicais e pobres existiam os Sans-culottes e os Jacobinos.

Com o sucesso em guerra, os Jacobinos tomaram o poder dando início a fase mais sangrenta da revolução. Os reis foram guilhotinados. A verdade é que cerca de diversas pessoas eram guilhotinadas por dia. Isso comprova que a época era de tensão e repressão. O lado positivo é que foi também o momento de ascensão da classe mais popular. Liderado por Robespierre, o período da Convenção propôs um estudo público, o voto universal pela primeira vez na história para todos os homens maiores de idade e uma tentativa de reforma agrária.

Como as medidas eram polêmicas e o período de uma violência insuportável, os próprios burgueses já não queriam mais Robespierre no poder e o mataram em 1794. Os Girondinos tomaram o poder novamente e derrubam o voto universal voltando a ser censitário, volta a escravidão e a liberdade econômica (Os jacobinos eram contra a escravidão). Esse golpe teve o nome de ‘’Golpe Termidoriano’’ e correspondeu à época do Diretório, onde 5 diretores cuidavam do poder executivo num período de muita instabilidade.

Em 1799, Napoleão Bonaparte, general do exército francês deu um fim à Revolução Francesa com o gole ‘’18 Brumário’’, onde tomou o poder já que o governo estava fragilizado e o povo precisava de estabilidade.

É interessante destacar que durante a Revolução Francesa o feminismo já tomava um pouco de força, embora as mulheres não conseguiram nenhum direito além da permissão do divórcio, o que já foi um grande avanço para elas.

Para Napoleão se manter no poder foi preciso uma política de conciliação. Ele lançou a concordata, onde houve alguns retrocessos a favor da nobreza mas manteve alguns concessões aos burgueses. Em 1802 foi eleito único cônsul e proibiu o direito de greve (Nesta época a Revolução Industrial já acontecia principalmente na Inglaterra). Ele permitiu o casamento no civil, separando do religioso, muito importante nos dias de hoje. Então se tornou Imperador censurou a imprensa mas investiu nas infraestrutura da França.

A Inglaterra e os países vizinhos da França novamente tentaram atacar os franceses, mas como um bom imperador, Napoleão dominou seu vizinhos com seu exército poderoso e declarou o Bloqueio Continental contra a Inglaterra, que por ser potência naval, não perdia de Napoleão em guerra, mas agora estaria prejudicada economicamente. Com o Bloqueio, nenhum país poderia fazer comércio com a Inglaterra. Quem ficou muito prejudicado com isso, foi Portugal que teria que escolher entre ser invadido por Napoleão ou trair a Inglaterra e perder todo o seu comércio com ela. Por conta disso, houve a fuga da corte para o Brasil em 1808, abandonando Portugal. É claro que Napoleão dominou a região. Na Espanha houve rebeldia.

Em 1811 Napoleão caiu em uma armadilha na Rússia. Durante a guerra, era comum a invasão dos soldados e os saques para que se mantivessem na guerra. De forma inteligente, Moscou foi abandonada e incendiada pelos próprios Russos. Com muito esforço Napoleão chegou lá e não encontrou nada. Com isso, teve que voltar e como a cidade foi incendiada, perdeu parte de ser exército no meio do caminho por falta de alimentos e outros mantimentos básicos.

Com o enfraquecimento, a Inglaterra atacou em terra e em 1814, Napoleão faz uma declaração de derrota. O Tratado de Paris dava ao general a opção de se exilar em uma ilha. Durante esse período, Luis XVIII foi quem assumiu, com a ajuda dos estados absolutistas. Porém, Napoleão fugiu da ilha e em 1815 voltou para a França. Muito respeitado pelos burgueses, não foi assassinado e conseguiu voltar ao poder em 1815. Porém, seu governo só durou aproximadamente 100 dias, pois os absolutistas não deixaram barato, tendo derrotado Napoleão na batalha de Waterloo, na Bélgica. Napoleão foi enviado para outra ilha, dessa vez preso, onde viveu até sua morte, em 1821.

Com a tentativa de restaurar o antigo regime, os nobres convocaram o Congresso de Viena. Formou-se a Santa Aliança entre Áustria, Russia e Prússia. Pregavam o equilíbrio, o fim do liberalismo e a legitimidade. Na França, trouxeram Luis XVIII de volta. Neste momento, os estados modernos foram consolidados e a noção de país se tornou cada vez mais forte.

Porém, o mundo já estava mudado, a burguesia fazia mais sentido naquele período. Devagar, a Revolução Industrial chegou até a França e não foi possível conter o liberalismo mais. Estamos falando de 200 anos, desde a primeira revolução burguesa, até o Congresso de Viena. É interessante reparar como é difícil mudar a política, o quão lenta são as mudanças políticas e quanto sangue é preciso derramar para isso.

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