A vida pós-faculdade

Vocês já sentiram que não estão fazendo absolutamente nada das suas vidas? Já tiveram a sensação de que o tempo está voando e você está estática? É como se você fosse congelada no tempo e acordasse, após cem anos, com a mesma aparência, sem sair do lugar.

Sinto que estou há quase dois anos nessa inércia. Não consegui fazer nada de útil e não consigo decidir o que fazer do meu futuro. Pensava que o futuro era acabar a faculdade e me tornar operadora do direito. Daí acabou, e estou aqui sem saber o que fazer. Achava que queria um mestrado bem longe da UEA — Universidade do Estado do Amazonas, afinal, foi a UEA que destruiu meu psicológico. Já foi difícil aguentar um ano de pós-graduação com as mesmas pessoas. A cada sábado, eu saía de casa pedindo pra não ter que olhar pra cara de ninguém (salvo algumas exceções), pra não ter mais um ataque de pânico, pra não querer morrer ali mesmo, só pra não ter que suportar aquilo. Foram muitos sábados contando de 1 até 10 com o diafragma. Acabou. Quer dizer, falta o artigo.

Por causa de tudo isso, fui fazer o mestrado na Ufam. Não funcionou pra mim. A aprovação veio num momento em que eu estava extremamente frágil e não poderia suportar mais pressão. Não achei justo ocupar uma vaga de alguém que pudesse se dedicar com plena capacidade. Abri mão. Fui cuidar de mim. Me dei um tempo, pela primeira vez na vida, sem cobranças. Queria paz.

Agora, sinto que o relógio voltou a correr e está me dizendo pra escolher o que fazer. Quero um mestrado. Sempre quis dar aula. Admiro profundamente o ofício de professor. São pessoas que me inspiram. Porém, as duas únicas opções, na minha querida Manaus, que me interessam estão na UEA. Alerta de gatilho.

De um lado, um mestrado que pode me dar passe livre pra lecionar no curso de direito e seguir o script. Do outro, um mestrado com as pessoas mais maravilhosas que tive a honra de conviver naquela faculdade, mas não é em direito, talvez tivesse um pouco de dificuldade numa eventual seleção. Volta a dúvida.

Eu só sei que o relógio não parou pra eu decidir. E se eu quiser passar, preciso decidir logo pra iniciar a preparação. Mas a inércia parece querer me prender. Ainda não consigo.

Só sei que escrever me ajuda a analisar melhor as opções e controlar a ansiedade. É isso.