É preciso olhar de artista

“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gênesis 2.7).

Penso haver algo de significativo no fato de o homem, diferente do restante da criação, não ter sido criado ex-nihilo. É como se Deus, por assim dizer, “o descobrisse” em meio ao barro que já existia. É como se, ao soprar em suas narinas, ele lhe dissesse: “Vai, filho. Agora é a tua vez. Descobre os tesouros que escondi para ti”.

Muito do mandato cultural tem a ver com isso: enxergar “o que está aí” e transformá-lo em arte útil. Ao nos criar à sua imagem, o Criador nos deu algo de sua mente. É por isso que, apesar do pecado, os filhos de Caim viram um alaúde em meio às toras reviradas de madeira. Onde enxergávamos não mais que uma simples pedra bruta de mármore, Michelangelo viu Davi.

É preciso olhar de artista.