21 teses sobre submissão no casamento

por Douglas Wilson

1. O ensino da Escritura sobre esse assunto é claro e simples. O que Deus requer de nós, em nossos deveres matrimoniais, é ensinado em diversos lugares, e não por meios obscuros.

2. Vivemos numa época em que a exegese honesta é rotineiramente ameaçada pela calúnia, ao passo que a exegese desonesta é, com frequência, respeitada e recompensada. Não surpreende que estejamos aprendendo cada vez menos da primeira e cada vez mais da última.

3. A revelação natural nos ensina a submissão natural da esposa ao marido. Essas realidades estão em nossa essência, e a revolta contra elas reside na base de nossa atual loucura cultural.

4. As exigências bíblicas são inteiramente consistentes com essa revelação natural. O Deus que criou o mundo, que nos conformou à Sua imagem como homem e mulher, é o mesmo Deus que inspirou os escritores da Escritura. Sempre que a revelação natural e a especial parecem conflitar (elas jamais se contradizem de fato), devemos nos submeter às palavras expressas de Deus. Mas neste caso, não há nem mesmo uma contradição aparente.

5. A Bíblia não exige uma submissão universal das mulheres aos homens, ou a submissão necessária de uma determinada mulher a um determinado homem. A Bíblia exige que as mulheres sejam submissas a seus próprios maridos, que é uma proteção contra ter de submeterem-se aos homens indistintamente. Ademais, uma vez que ninguém pode servir a mais do que uma autoridade, esse ensino bíblico corresponde à proibição de uma mulher submeter-se a outros homens. A Escritura também não exige uma nova submissão absoluta da mulher ao seu marido. Nenhuma autoridade neste mundo caído é absoluta, e isso inclui a autoridade de um marido. Quando a autoridade de um marido se torna repugnante, a esposa deve receber o auxílio dos pais, irmãos, amigos e/ou dos presbíteros para ajudá-la a lutar contra ela. Envolvi-me nesse tipo de situação mais de uma vez.

6. Ao mesmo tempo, em uma sociedade saudável, se as esposas são, de modo geral, submissas aos seus próprios maridos, acatar-se-á respeitosamente a liderança dos homens de modo geral, uma realidade a ser acolhida e não repelida. Tal respeito é pela realidade da liderança masculina, não pela sua qualidade. Quando líderes masculinos são tiranos, insensatos e patifes, as mulheres piedosas terão tanta objeção a isso quanto os homens piedosos.

7. A exigência de submissão dentro do casamento não proíbe a circunstância ocasional em que uma mulher na sociedade civil encontra-se em uma posição de liderança sobre os homens. Débora, Ester e Lídia vêm à mente. Ao mesmo tempo, quando a liderança feminina se torna predominante e comum numa sociedade, isso não é sinal de progresso de forma alguma, mas, antes, um sinal de decadência cultural promovida pela apatia masculina.

8. Na teologia cristã, não há tensão entre autoridade e submissão de um lado e igualdade de essência do outro. Deus o Pai é o eterno Pai do Filho, e, no entanto, o Pai e o Filho são igualmente o único Deus verdadeiro. O marido é a cabeça de sua esposa, e, no entanto, eles são uma só carne. Homens e mulheres estão no mesmo patamar quando se trata de ser criado à imagem de Deus (Gn 1.27), ao fato da nossa queda no pecado (1Co 15.22) e à nossa posição em Cristo (Gl 3.28). Homens e mulheres são claramente iguais nesses sentidos, portanto o ensino bíblico alhures sobre a submissão de uma esposa a seu marido significa que a submissão a alguém com as mesmas prerrogativas não é um conceito incoerente.

9. As mulheres têm uma profunda necessidade criacional de serem amadas e conduzidas, para que possam submeter-se e seguir, e os homens têm uma profunda necessidade criacional de serem respeitados e seguidos. Quando essas necessidades são contrariadas ou, em outros contextos, frustradas, o resultado final é profunda infelicidade para ambos os sexos.

10. Ao mesmo tempo, devido à maldição decorrente da Queda, as mulheres têm uma profunda resistência à submissão obediente, ainda que tal submissão redunde, para elas, na alegria e verdadeira satisfação decorrentes da obediência a Deus. Isso pode ou não melhorar o casamento (dependendo dos problemas pecaminosos do marido), mas certamente melhorará a caminhada da esposa com Deus. A profecia de que “teu desejo será para o teu marido” não estava falando de escapadas românticas, mas, antes, predizendo que haveria uma batalha pelo domínio. Assim, em vez de tentar dominar o marido, ela deve lutar para dominar esse impulso que insiste dentro dela.

11. A Bíblia não instrui os maridos a impor a exigência que foi dada a suas esposas. Uma vez que a verdadeira submissão é uma questão do coração, produzida pela graça através da fé, um marido não tem a capacidade de fazer isso acontecer. Sua tarefa primordial, portanto, é amar sua esposa como Cristo amou a igreja. Ele deve liderar pelo exemplo.

12. O fato de os maridos não poderem impor ou produzir submissão não a torna menos imperativa. Esposas devem ser submissas a seus maridos em tudo. A cerimônia de casamento inclui, com razão, um voto para a noiva obedecer ao seu marido.

13. A relação de cabeça e corpo é uma relação constante, não uma que vem e vai. Não é o caso que o marido tenha uma mera autoridade de desempate.

14. A liberdade, para as esposas cristãs, não deve ser desfrutada fora de sua esfera designada. Uma mulher que rejeita sua obrigação de amar, honrar e obedecer é como um pássaro que jogou fora o “entrave” de ter asas.

15. A submissão é uma necessidade erótica. O abandono dessa responsabilidade matrimonial básica é a causa de tanta infelicidade, e também tem sido a causa da resultante busca dos delírios eróticos oferecidos por parceiros múltiplos e por diversas perversões.

16. A submissão praticada deficientemente não desacredita aqueles que a praticam apropriadamente, e nem justifica aqueles que não a praticam de forma alguma. E inversamente, a decisão de aceitar o ensino bíblico sobre esse assunto não obriga uma pessoa a defender as muitas coisas estarrecedoras que são feitas em nome de seguir o padrão escriturístico. Um estudante de matemática que resolve todos os problemas de forma errada e o estudante que terminantemente se recusa a resolvê-los têm muito mais em comum um com o outro do que com o estudante que fez a sua tarefa corretamente e entregou-a no prazo.

17. A emancipação feminina foi uma operação de bandeira falsa[1]. O verdadeiro objetivo era a emancipação de homens libertinos, e em nossos dias, esse foi um objetivo que foi amplamente alcançado. Estes eram homens que queriam os benefícios para si mesmos que viriam do divórcio fácil, aborto generalizado, pornografia integrada e uma cultura de namoro promíscuo. O início do século 20 foi caracterizado pela esposa cristã. O início do século 21 é caracterizado pela concubina tatuada. E esses filhos de Belial têm a audácia de chamar isso de “progresso para as mulheres”.

18. O domínio geral dos homens sobre as mulheres é inescapável. Sendo assim, isso significa que, quando uma norma piedosa (via submissão no lar) é marginalizada, ela será substituída por uma dominação impiedosa sobre as mulheres em toda parte. Não podemos ser bem-sucedidos colocando homens e mulheres em pé de igualdade. Mas tentar fazer isso pode, indubitavelmente, resultar em Brüno tomando seus banhos na YWCA.

19. O Deus que fornece os mandamentos que nos cabem é o mesmo Deus que nos projetou e criou. Seus mandamentos são, portanto, bons, justos e verdadeiros, e eles se encaixam perfeitamente na ordem da criação. Na medida em que as esposas aprendem a como viver esses princípios, elas estão tentando vencer o pecado. Elas não estão tentando vencer a natureza delas. Antes, estão amadurecendo em sua verdadeira natureza, que é a única libertação que importa.

20. A submissão que é invisível não é submissão de forma alguma. Na medida em que a submissão é cultivada no lar, ela precisa ser expressada. Ela não pode existir como um conjunto de resoluções escondidas ou boas intenções. O respeito deve ser verbalizado, e a conduta de deferência submissa deve ser evidente a todos no lar.

21. Para cada uma dessas teses há, naturalmente, um conjunto de responsabilidades correspondentes para os homens. Não apenas isso, mas o fracasso dos homens em conformar-se ao padrão divino tem sido mais evidente do que os fracassos das mulheres. Mas não estou listando essas responsabilidades aqui porque vivemos numa época que, sempre que a submissão é mencionada, apressamo-nos em explicar, qualificar, contextualizar e normalmente assegurar ao mundo o que não queremos dizer. Nós “justificamos” as responsabilidades femininas hoje com muito mais rapidez do que o fazemos com as responsabilidades dos homens — e isso é parte desse movimento de bandeira falsa que sistematicamente deixa os homens fora de perigo. Se as esposas não precisam seguir, então os homens não precisam liderar. Temos feito tanto isso que, hoje, raramente as pessoas sabem o que queremos dizer por submissão. Portanto, estou apenas dizendo que a Bíblia ensina a submissão para as esposas, e isso é uma coisa gloriosa.

Fonte: blog do autor.

Tradução de Leonardo Bruno Galdino.

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[1] No inglês, “false flag operation”. “É uma operação conduzida por governos, corporações, indivíduos ou outras organizações que aparentam ser realizadas pelo inimigo de modo a tirar partido das consequências resultantes” (Wikipedia).