A Igreja como Obra de Arte

Por Nancy Pearcey

Os sociólogos nos dizem que toda cosmovisão exige uma base social na qual ela possa ser desenvolvida em modos concretos. Ideias são muito difíceis de aceitar se elas forem exclusivamente abstratas e teóricas. Precisamos vê-las vividas na prática — feitas visíveis e tangíveis. Para usar um linguajar da sociologia, precisamos de uma “estrutura de plausibilidade”, o que significa uma estrutura social que forneça uma ideia mais plausível ou crível. E o que é a estrutura de plausibilidade para o evangelho? A igreja, a vida corporativa da comunidade cristã. Escrevendo à igreja de Corinto, Paulo disse: “Vós sois a carta de Cristo […], e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo” (2 Coríntios 3.3). Toda igreja local é uma carta de Cristo para o mundo. Pessoas de fora serão atraídas quando virem beleza dos relacionamentos marcados por graça e perdão, a beleza da justiça para o oprimido, a beleza da criatividade em cada campo da atividade humana.

Como Dennis Hollinger coloca, a própria igreja é a melhor apologética. “Os pós-modernos podem entender melhor um Deus de graça santo, amável, justo, perdoador e revigorante quando veem uma comunidade santa, amável, justa, perdoadora e revigorante fundamentada na graça de Deus”. A comunidade cristã é a realidade concreta onde a realidade transcendente do evangelho se manifesta — “uma expressão visível e corporativa da cosmovisão cristã”.

Este é um pensamento preocupante, pois o outro lado da moeda é que o evangelho também é mais facilmente desacreditado por causa da igreja. O que acontece quando incrédulos ouvem pregadores proclamarem a importância da família, mas veem igrejas cheias de pais workhaolic com pouco tempo para seus próprios filhos? Quando veem relações de poder que são tão exploradoras como em qualquer outro lugar? Quando veem cristãos aprisionados nos mesmos vícios sexuais que o restante da sociedade? Quando veem celebridades evangélicas usando as mesmas táticas de propaganda desonestas que o mundo secular da publicidade? Cristãos podem pregar fervorosamente sobre a necessidade de uma cosmovisão bíblica, mas a menos que eles se submetam a um processo contínuo de santificação, não terão o poder de viver essa cosmovisão — e desacreditarão a própria mensagem que estão buscando comunicar.

Os gregos antigos pensavam que virtude e verdade estavam tão interligadas que, sem a virtude, uma pessoa jamais podia ver a verdade claramente. A Escritura ensina um princípio semelhante quando diz que o pecado conduz a uma espécie de cegueira. Egoísmo e ambição pessoal podem obscurecer a nossa percepção a ponto de, literalmente, não reconhecermos certas verdades espirituais. É por isso que Jesus disse que devemos estar dispostos a agir corretamente para reconhecer inclusive o que é correto. “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo” (João 7.17). A fim de desenvolver uma cosmovisão bíblica, cada um deve, primeiro, fazer um inventário de busca das suas áreas de pecado, tentações e fraquezas, e embarcar em um processo de santificação em todas as áreas da vida.

— PEARCEY, Nancy. Saving Leonardo: A Call to Resist the Secular Assault on Mind, Morals, & Meaning. Edição Kindle, p. 276–277.

Tradução de Leonardo Bruno Galdino.