Além da linguagem?

Por Peter Leithart

Em seu comentário Anchor Bible sobre Apocalipse, Craig Koester diz o seguinte sobre a visão inicial que João teve de Jesus: “A aparência da figura desafia fácil a descrição: cabelo que é branco como lã ou neve, olhos como chamas de fogo, voz como de muitas águas, rosto como o sol. As comparações mostram que o que João descreve não cabe dentro dos limites da fala comum. Ele usa analogias da experiência humana para retratar algo de um âmbito diferente” (p. 249).

Confesso que não sei o que isso significa. São comparações além dos “limites da fala comum”? Não usamos analogias a todo instante, quer estejamos falando de Deus, da forma de uma nuvem ou do sabor de um vinho? Usamos analogias da experiência humana para descrever o que está em nosso próprio âmbito.

É bem verdade que é incomum ver alguém com olhos como fogo e o rosto brilhando como o sol. Não é tão incomum ver alguém com cabelos semelhante a neve ou lã. É bastante comum, eu diria. E conheço algumas pessoas cujas vozes se assemelham ao volume de uma cachoeira.

Jesus é certamente mais do que a linguagem capta, mas assim são todas as demais coisas. A visão de Jesus certamente é avassaladora, mas a linguagem de João é perfeitamente usual. E não se espante: a linguagem existe para que os seres humanos possam falar de e com o nosso Criador. A linguagem humana existe para falar de Deus.

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Fonte: First Things.

Tradução de Leonardo Bruno Galdino.