Memória e imaginação

“A persistência da Memória”, de Salvador Dali.

Por Peter Leithart

Em seu estudo da memória digital (When We Are No More), Abby Sith Rumsey faz uma distinção entre armazenamento de dados e memória. O que faz a memória importante não é simplesmente a sua capacidade de armazenar fatos; antes, “é a capacidade para a informação ser útil tanto agora como no futuro que conta” (p. 12).

Se a memória falha, então “falhamos em construir o repertório vital do conhecimento e experiência que podem ser usados por nós no futuro. E é o futuro quem está em jogo. Pois a memória não diz respeito ao passado. Ela diz respeito ao futuro” (p. 12).

Rumsey aprofunda: “A memória humana é única porque, a partir da informação armazenada em nossos cérebros, podemos evocar não apenas coisas que existiram ou existem, mas também coisas que podem existir. Dos conteúdos do nosso cérebro podemos produzir visões do futuro. Sabemos que há um passado, um presente e um futuro, e em nossas cabeças transitamos livremente entre esses fusos horários. Sabemos que gerações de pessoas nasceram e morreram antes que viéssemos à existência, e que, também, estamos destinados a morrer. Esta intensa percepção de profundidade temporal é única na Natureza. Entramos em uma viagem mental no tempo, imaginando possíveis consequências futuras, ou retrocedemos no tempo para recriar como algo no presente veio a ser deste modo e não daquele. Quanto mais ricas as nossas memórias, maior o nosso raciocínio imaginativo” (p. 12).

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Fonte: First Things.

Tradução de Leonardo Bruno Galdino.