Se não vos tornardes como crianças…

É indiscutível que as crianças têm um senso de deslumbramento muito maior do que nós, adultos. E a paternidade tem me provado isto todos os dias.

Moro a um quilômetro da praia, e toda vez que pego a avenida que dá acesso a ela, meu filho Lucas, de um ano e dez meses, começa a se ouriçar todo: “Paia! Paia! Eba!”. E isso independente se é de dia ou de noite — o danadinho reconhece o itinerário! Ontem à noite, por exemplo, ele ficou dizendo: “Paia! Paia!”. Mas o que mais me deixou espantado foi o complemento da euforia: “Muito feliz!”. E não lembro de tê-lo ensinado isso (a frase, não a felicidade)!

Jesus veio montado num jumentinho e os judeus não perceberam que aquilo era o cumprimento de uma profecia (Zacarias 9.9). Todos estavam esperando grandes coisas, eventos imponentes. Mas que graça há num jumentinho, cria de jumenta? Absolutamente nenhuma. Mal sabiam eles que o bicho de orelhas pontudas prenunciava o Grande Evento. Mas quando, enfim, ele veio, também não o perceberam. Estavam todos cegos para o escândalo da cruz.

Chesterton tem razão: o nascer e pôr do sol todo santo dia é Deus brincando de criança: “Vamos de novo!”. Lucas se espantando com o sapinho na parede do quintal, com o “passalinho” pousando no muro e com o papai jogando a bola na cesta de basquete improvisada com um balde velho pendurado no gancho da rede me parece um aviso divino: “Se não vos espantardes com as pequenas coisas, serás incapaz de perceber as grandes”.

Soli Deo Gloria!

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