Fentanil ( Crônica — Notícia: morte Prince)

Quem nunca sentiu a dor de existir e quis, por querer, sentir uma dor física para superar a outra, não sabe o sentido de um fentanil.

Se escondeu da realidade, escondeu a dor com outra, cobriu a sujeira, que se acumulou até que o vento soprou e desmontou seu castelo. Era “Prince” e idolatrado, não suportou sua existência e sobrepôs a dor que nela sentia por analgésicos.

Nas seringas que aplicou, encontradas dois anos depois de sua amargura final, estão estampadas o desespero de uma vida escancarada e com externas expectativas.

Foi mais para os outros que para si mesmo. E não diferente, tantos outros se igualam, nesse mundo em que a expectativa é maior que a realidade. Não há classe nem corte, príncipes que escapem.

O medo de não ser o esperado assustou. Então, se anestesiou e assim, parou de se sentir. Provocou em alheios sensações e emoções que nem se quer sentia mais.

Não é fácil simplesmente ser.

Sendo Prince ou não, quem foi, senão os outros, o dono de sua própria vida?