Protocooperação entre sistemas empresariais: ninguém mais está sozinho.

Até boa parte da primeira década dos anos 2000 o cenário das empresas com relação aos softwares de gestão empresarial era quase invariável. A empresa adquiria o software de ERP que mais se aproximava das suas necessidades — ou do orçamento disponível — e toda a operação do empreendimento se dava através deste software. No passar dos anos, com as mudanças do mercado, novas necessidades foram surgindo e para que estas fossem contempladas as empresas produtoras dos softwares de ERP desenvolviam funcionalidades que, dentro do possível, suprissem a demanda.

Conforme os recursos computacionais evoluíram, as empresas vislumbraram as possibilidades do seu uso como ferramentas dinâmicas que permitiriam a extração de dados e a produção de inteligência empresarial, não limitando-se apenas a ser um facilitador para tarefas burocráticas inerentes a operação. O novo horizonte de possibilidades que surgiu contemplava muito mais do que apenas a já consolidada tríade produção/faturamento/contábil. Podemos citar como exemplo, a crescente preocupação com a satisfação do cliente que fez com que a sigla CRM passasse a constar do dicionário de qualquer empresa. Ou ainda como a facilidade de acesso e coleta de informações geográficas passou a permitir estudos logísticos que seriam um recurso crucial nas operações. Mais recentemente, a ubiquidade dos dispositivos móveis inteligentes, como smartphones, permitiu à empresa sair do seu ambiente físico e levar suas operação para virtualmente qualquer lugar.

Era previsível e natural que softwares especializados passassem a fazer parte do cotidiano das empresas. Os softwares de ERP têm como atributo — não oficial — a possibilidade de ser utilizado pela maior gama de segmentos possível, característica esta que, por um lado permite um amplo leque de clientes e por outro dificulta a personalização de recursos para segmentos muito particulares. É neste momento que, para preencher esta lacuna, surgem empresas desenvolvedoras de soluções dedicadas a determinados aspectos do negócio.

Para ilustrar: uma prática emergente, principalmente no segmento de distribuição, é o acompanhamento dos índices de venda por parte do setor fabril. Ou seja, ao invés do fabricante preocupar-se apenas com as etapas compreendidas entre a fabricação, venda e entrega aos distribuidores (como em outros tempos), ele passa a acompanhar todo os processo até o consumidor final. Desta forma a fábrica pode se certificar que, por exemplo, o produto esteja alcançando na totalidade o seu público-alvo, ou ainda que o preço de venda estimado esteja sendo cumprido.

A fonte dos dados para esta análise — como você já deve imaginar — será o ERP do distribuidor e o responsável pela análise será provavelmente um sistema especializado que entregará de volta ao sistema de gestão empresarial dados que permitirão ajustes estratégicos. Assim sendo, o cenário que se desenha é de uma espécie de ecossistema formado por diferentes softwares (possivelmente de diferentes fornecedores) nutrindo-se mutuamente de dados — que de forma isolada não informam muito — e entregando informações estratégicas extraídas através de parametrizações únicas do segmento.

A chamada EAI (Enterprise Application Integration) é um conceito relativamente novo enquanto, por outro lado, os sistemas ERP utilizados hoje já estão consolidados no mercado há algumas décadas. Isso cria um “conflito de gerações” entre as aplicações ERP e sistemas especializados, fazendo com que as soluções de integrações não sejam as ideais para que ambos operem na sua totalidade. Hoje observamos claramente um esforço dos sistemas já consolidados em propiciar este intercambio de informações por perceber que esta é a nova mecânica do mercado de softwares empresariais.

Do outro lado os novos softwares ERP já nascem sabendo que não estão só e que fazem parte de um todo. Seguem assim a tendência das aplicações empresariais de oferecer uma camada de “sharing” que permita uma integração com softwares parceiros, sejam eles do mesmo fornecedor ou de terceiros. Como se não bastasse que a própria necessidade de integração com aplicativos especializados aponte para o caminho da integração, os paradigmas, métodos, conceitos e ferramentas emergentes envolvidos no processo de desenvolvimento também nos dão sinais claros desta tendência.

Basta pensarmos em Cloud Computing, Iot e MicroServices para rapidamente vislumbrarmos as possibilidades oferecidas.
Note que em momento algum a intenção é desmerecer a forma como as aplicações empresariais foram concebidas até então, afinal, estamos falando de décadas de desenvolvimento e de uma outra realidade. A tecnologia e os métodos de desenvolvimento são entidades em constante evolução e por anos, devido as limitações técnicas e econômicas as aplicações empresariais olharam apenas para frente, não percebendo que algo acontecia ao seu lado.

Estamos falando de um tempo no qual não se podia conceber que, por exemplo, um site da web seria a principal fonte de interação social de uma parcela significativa da população podendo servir de fonte de dados para, por exemplo, estimar tendências de mercado.

O cerne da reflexão proposta localiza-se no fato de que as relações entre aplicativos empresariais estão rumando em direção a integração e independente do histórico ou nível de maturidade do sistema empresarial, é vital ter consciência de que há um mundo lá fora e que estar disponível ao intercambio de dados agregará valor e será lucrativo para todos os envolvidos.

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