De Bô Ah

Leonardo Costa
Aug 8, 2017 · 2 min read

Teu cheiro no meu casaco me tira do sério. Não é cigarro, mas gruda na minha roupa e no meu cabelo e não tem solução. Nada tira. Teu cheiro, o do meu casaco e cabelo, me enche os olhos, a boca e os ouvidos, até que toca meu nariz. E me lembro. Me lembro que não é cigarro, mas que já estou viciado em você.
Por favor, não fuja de mim. Não escape por entre os meus dedos por causa de um medo absurdo e irreal que tu tens sobre o meu sentimento. Meu sentimento, também absurdo e irreal, que me faz querer estar sempre do teu lado, te buscando em ti e correndo atrás de suas mãos escondidas sob seus braços toda vez que se senta do meu lado. Meu sentimento que não causa medo. Mas causa.
E causa.
E causa náusea, términos, junções e indecisões. Causa saberes sobre des-saberes e duvidas sobre perguntas que não fazem parte de mim. Sussurro-lhe:
"Para de fingir que eu não existo. Chega em mim, arranha minha alma e morde meu pescoço até que eu desmaie. Vem me lembrar o que é viver, respirar. Me beija até confundimos nossas línguas e perca seus dedos no emaranhado do meu cabelo. Force sua boca na minha até que doa, sem parar para respirar. Suspire. Gema. Cante nosso prazer enquanto te aperto contra mim com toda forca de meu desejo.
E então se afaste. Vá para longe de mim que é onde tu pertence, enquanto eu fico longe de ti que é onde eu pertenço.
Longe."
Pois com você, só não sei se sei ou se quero saber se sei o que fazer com você. Só sei que com você eu não sei. E não sei e não sei e não sei. E sobre saber, só sei que você me confunde nas minhas certezas mais profundas, abala meus mais fortes pilares e me derruba de meus chãos mais firmes.
E só penso em me afastar de ti. Mas aí me lembro do cigarro que não é tu, do cheiro que já é meu e das mãos que se escondem de mim. E da tua fuga diária, tiro minha coragem e vontade de correr atrás daquilo que me faz bem. E assim, neste momento, eu só sei pensar que não existe distancia que eu não percorreria para te encontrar de novo.

    Leonardo Costa

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    Escritor de mini contos e mega amores, inventor do drama e o maior crítico da minha própria arte.