Um terror para rir

Um dos gêneros do cinema que eu mais gosto é terror. O grande problema do terror no cinema é que as fórmulas de sucesso são copiadas descaradamente. Se você parar pra pensar, a grande maioria desses filmes são extremamente pragmáticos, poucos propõe algo inovador como narrativa. Tem uma receita pronta, é só dar Ctrl+C e Ctrl+V que já era (não em todos os casos, evidentemente).

Por isso mesmo, pra mim se tornou muito frustante muitos filmes que se propõe ser uma narrativa aterrorizante mas, no final das contas, é algo previsível. A graça do cinema pra mim são histórias que podem até ter um formato pré-definido, mas que tomam rumos completamente distintos do senso comum, isso para qualquer gênero, desde comédia até ação.

Porém esse ano tive uma grata surpresa ao assistir “Corra” (Get Out, 2017) dirigido por Jordan Peele. Esse é um filme que vale a pena ser assistido se você gosta desse gênero.

A história narra a história de um jovem negro indo encontrar e conhecer a família de sua namorada, uma moça branca. Pode parecer estranho a menção da raça dos personagens, mas acredite em mim, vai fazer sentido dentro do enredo. O encontro entre os pais da moça e o jovem é cercado de muitos eventos, no mínimo, estranhos. Você que namora e teve que apresentar o seu companheiros para seus pais: se isso já é suficientemente estranho, você entenderá o que o personagem passa facilmente.

A questão racial se faz presente no filme, mas não em tom “problematizador”

O humor está presente nesse filme. Sim, não estou enganado com relação a isso. Algumas cenas são a mistura plena de pavor e humor, é tão aterrorizante que é engraçado, é um riso nervoso, mas não deixa de ser um riso.

Muito se fala sobre essa mescla de gêneros (terror e comédia) ser a influência de Jordan Peele, diretor do filme. Ele é humorista, fazia parte de esquetes do MadTV. Como alguém que mexe diretamente com humor pode criar uma obra tão apavorante? Não sei explicar isso, mas achei genial demais e acho que, por ter uma mente menos viciada em “métodos prontos”, a combinação deu certo demais e acho que deve ser repetida, pelo bem do cinema e do terror.

Não posso falar mais sobre a história, é capaz de rolar um spoiler inesperado e eu não quero antecipar sua experiência. Mas tirando isso, as atuações são muito boas, com ênfase na família da namorada, que consegue te dar arrepios e até fazer você se sentir angustiado nos diálogos.

E não tem como não falar da atuação do Daniel Kaluuya. Lembro de ter visto ele em algum episódio de “Black Mirror” que não gostei muito, mas nesse filme ele está muito bem, você sente o pavor dele na pele pelas expressões faciais que faz.

Enfim, é um filme que eu recomendo. Vai dar cagaço e, às vezes, vai te fazer rir.

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