William Powell e a consequência das palavras precipitadas

Assisti ao excelente documentário American Anarchist, que qualquer um pode assistir caso tenha acesso a uma conta Netflix. O filme retrata uma entrevista com William Powell, o responsável por um dos livros mais polêmicos dos anos 70: The Anarchist Cookbook (O livro de receitas anarquistas, em tradução livre).

O livro ganhou notoriedade não por acaso: se trata de uma obra na qual é ensinada, para leigos, a fabricação de bombas, drogas, equipamentos para interromper telecomunicações e outras coisas que são consideradas perigosas e ilegais. O motivo para o autor ter escrito essa obra foi como forma de protesto contra o envolvimento americano na Guerra do Vietnã.

No documentário, a intenção parece é clara: mostrar a Powell, que depois de anos nem sequer tinha um exemplar do polêmico livro em sua casa, as consequências que sua obra causou em diversas pessoas e, também, a visão dele depois de anos da publicação. Em defesa dele é bom falar: Powell mudou sua opinião completamente em relação ao livro e, ao que parece, se arrepende de tê-lo feito.

O livro parece ter influenciado muitos ataques que aconteceram nos EUA, incluindo o famoso atentado em Columbine, em 1999.

O filme leva a reflexão: William Powell se arrepende profundamente de suas palavras escritas na juventude, porém isso não tem como evitar as consequências que suas palavras geraram e (se Deus quiser não) gerarão no futuro.

Longe de mim colocar ainda mais culpa sobre ele. Mas há algo a ser pensado sobre tudo isso. Hoje, como nunca, as redes sociais impulsionam e colocam na vitrine nossas opiniões. E talvez não estejamos 100% preparados para administrar toda essa situação. Temos liberdade plena (pelo menos parece), mas não creio que saibamos usar ela da melhor maneira possível em algumas situações.

É preciso prudência. Evidentemente, não quero comparar o livro com postagens no Facebook, até porque talvez não tenha o mesmo alcance, já que o livro teve mais de 1 milhão de exemplares vendidos e foi amplamente debatido e discutido.

O ponto é: o que falamos e pronunciamos têm o seu peso e por isso devemos ser conscientes de que aquilo que falamos pode causar influências positivas ou negativas sobre outras pessoas, e isso não temos controle. Uma vez falado, pra sempre será escutado. Uma vez postado, “eternamente” na nossa timeline. Seja pra nossa vergonha ou honra.

É melhor escolher as palavras com calma do que se arrepender por muito tempo por algo impensado. Indico e muito American Anarchist, e que a sua exibição nos conscientize do poder que nossas palavras podem ter.

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