A Elite, a Classe Dominante e a Mobilidade Social Moderna

Elite é uma palavra que deriva do verbo latino ēligō cujo significado literal é próximo de “arrancar” ou “extrair” e seu sentido figurado aproxima-se muito a “eleger alguém”. Elite é um substantivo que atribui-se a algo de excelência, também é o um rótulo aplicado a uma parcela mais rica de uma sociedade. Em sociologia o significado é amplificado. Em geral, o termo costuma ser usado para identificar uma classe de alto status social, educação ou riqueza.

Pareto, um economista, engenheiro e sociólogo italiano viveu entre os séculos XIX e XX. No período de sua vida ele constatou que 80% das terras italianas eram de posse de 20% da população. O Princípio de Pareto, também intitulado regra do 80–20 diz que os 20% mais ricos detêm 80% das riquezas. Observações mais recentes reaplicam a regra sobre ela mesma e chegam a conclusão que 1% da população tem propriedade sobre 50% das riquezas. A regra mostra-se bastante verdadeira haja vista que atualmente a riqueza de 1% da população é estimada em 48% do total mundial.

Socialistas costumam igualar os termos e misturam a classe dominante com a elite — talvez devido ao hábito da classe dominante enriquecer com bastante facilidade e oferecer privilégios regulatórios às corporações— , na verdade a própria definição marxista de classe dominante seria uma elite que detém o controle do capital. Vemos repetidas vezes apropriações, nacionalizações, tabelamento de preços, inflação e tributação. Tais eventos certamente são uma boa maneira de expandir, manter o controle e a influência da classe dominante e a dependência dos indivíduos da sociedade nela porém são diretamente opostos ao crescimento econômico que os capitalistas supostamente maus tanto necessitam. Muitas vezes membros da classe dominante formam as bases regulatórias para que o lobby das grandes corporações entre no cenário político.

A razão também é histórica. Durante um longo período os “amigos” dos reis possuíam grande prestígio e poder. Levou-se muito tempo para que os burgueses começassem a ter influência nos mercados, fruto da mobilidade social a partir do declínio do modelo feudal. Mesmo após a queda do sistema nobiliárquico a associação da elite à classe dominante continuou e continua nos movimentos comunistas que hoje tornaram-se senso comum. Hans-Hermann Hoppe argumenta que a separação entre governados e governadores é maquiada pela alternância de poder da democracia gerando uma ilusão de autogovernança nos governados. A busca por uma entidade com poder que não a classe política encontra as elites financeiras que então são erroneamente encaradas como a classe dominante.

Os exploradores são em realidade os estados e governos que beneficiam seus compadres alimentando-se do trabalho de seus escravos da base da pirâmide do poder. Devemos parar de alimentar a religião de louvo ao estado e suas leis mágicas para valorizar a livre iniciativa que somente os indivíduos unidos em sociedade podem trazer. Por fim cito como exemplo do poder da liberdade as telecomunicações na Somália e na Guatemala que desenvolveram-se rapidamente com uma interrupção nas pesadas regulações governamentais. Ambas as nações passaram um crescimento na qualidade e no barateamento dos serviços muito além do que seus vizinhos continentais.