Eu, por eu e por outros.
Jasiane Rodrigues Pinto, a minha história passa principalmente por esta mulher, mais conhecida por mim como minha mãe. Nascida em 1973, hoje professora, mãe de outros dois garotos além de mim, Esdras da Silveira e Silva Neto, 11 anos e Caio Ribeiro Rodrigues da Silveira, 7 anos e esposa de meu pai, Esdras da Silveira e Silva Júnior. Minha mãe nasceu em Santa Luzia assim como eu, e foi mãe e pai até os meus nove anos de idade, quando ela casou com Esdras Júnior, (cuidado para não confundir o Esdras Júnior — meu pai — com o Esdras Neto — meu irmão) e assim nasceu meu pai.
Minha mãe foi mãe solteira, eu não sei muito bem da relação com que ela teve com meu pai biológico, nunca perguntei, nem ela nunca me falou, ficou assim, e infelizmente terei de deixar esta lacuna na minha história, o que penso ser mais agradável do que decepcionante. Curiosamente, este ano fiz 22 anos (4 de setembro). Há 22 anos atrás, com 22 anos, minha mãe me tinha em seus braços, não imaginara que eu com sua idade estaria formado em licenciatura no mesmo curso que ela faria alguns anos depois. Mãe e filho professores de História.
Minha infância foi em Santa Luzia, até meus nove anos, onde moravam meus avós, minha mãe e eu, dois primos da minha idade, uma tia e seu esposo. Cresci onde havia um quintal gigante, e acho que a existência sempre de amigos, companhias, e até mesmo o fato da minha mãe seguir sua vida, fez com que eu não me importasse se tinha um pai ou não. Foi com meus avós que aprendi muitas coisas ao qual sou grato, essencialmente a humildade e alegria que é perceptível ao ver minha avó Maria Beatriz Rodrigues Pinto, acho que ela me ensinou muito bem o quanto tirar o melhor dos momentos para que a vida se torne leve. Meu avô, Adilson Orton Pinto sempre foi muito forte, e me defendia com unhas e dentes, sou eternamente grato por sua lealdade e pela amizade que criamos, infelizmente ele morreu em 2011, mas acho que foi uma das primeiras experiências para que eu me fortalecesse e crescesse após a dor, acho que isto eu levo pra minha vida, e aprendi com todos que me acompanharam, a importância que uma derrota tem em nossas vidas somos nós mesmos que definimos.
Mudei pra Belo Horizonte em 2006 quando minha mãe e meu pai casaram, foi um impacto grande, computador, prédios, ficar sozinho, ter meu quarto, cidade grande, etc. Mas foi bom, aprendi muitas coisas. Meu pai sempre me tratou muito bem e me orgulho de tê-lo como meu pai, assim como me orgulho dos avós que ganhei com este casamento. Ele sempre me estimou muito e fez de tudo para que eu fosse cada vez mais adiante, sem medo do que pudera encontrar a frente. Curiosamente também, em 2005 estava eu em sua formatura dando os abraços e os parabéns, 13 anos depois, estava ele em minha formatura dando os abraços e os parabéns, ganhei um pai e ele ganhou um filho, assim como com minha mãe aprendi mais sobre o amor.
Em 2007 nasce meu primeiro irmão, o Esdras Neto. Eu com 10 anos naquele momento nem imaginava o quanto ele seria importante em minha vida, e como construiríamos uma amizade tão gostosa. Meu irmão é uma pessoa muito inteligente, possivelmente um dos mais curiosos que conheço, e que agradeço demais por tê-lo como irmão. As crianças nos ensinam muitas coisas, desde como lidar com problemas a como trabalhar em equipe. O Esdras Neto sabe muito bem do quanto ele é especial, graças a Deus, transmiti meu amor ao Galo a ele, e tenho certeza que ele será meu companheiro de arquibancada pelo resto da vida. Mas mais do que isso, ele é daquelas pessoas que tem olhar e coração puro, uma persistência incrível que me deixa até assustado. Ano passado ele tinha a mesma idade que eu tinha quando ele nasceu, me senti velho mesmo no auge dos meus 20 anos (no ano passado), e nos surpreendemos quanto o tempo corre, nos ensina, nós aprendemos, ensinamos algumas coisas e já estamos em outra dimensão, sendo outros mesmo sendo nós.
O Caio já nasceu depois, em 2011, eu já tinha 14 anos, hoje ele tem a metade da minha idade naquela época. É um menino que me surpreende a cada dia, de uma agitação incomum, e incansável, e que me faz voltar no tempo. Dizem que ele se parece demais comigo, e assumo que adoro quando dizem isso, é muito bom pra mim pessoalmente ter duas crianças comigo, eles me fazem muito bem, me motivam e me mostram que a vida o tempo inteiro é boa, mesmo passando por lados ruins. Assumo que com eles, eu criei uma responsabilidade que me fez muito bem, pois ajudei a cria-los, fui uma figura presente na vida deles e sempre busquei ser um irmão que eu gostaria de ter. Como irmão mais velho, sempre fui posto como o irmão exemplo, o que eu não gosto, ser irmão é aprender com o outro, é ter o outro com exemplo, ambos são meus exemplos em quem me inspiro o tempo inteiro.

Minha biografia passa pela história dessas pessoas que me acompanham desde sempre e estão comigo até aqui, há outras pessoas e fatos ao qual adoraria falar, e que são tão importantes quanto, meus outros avós, minha namorada Júlia, amigos, primos, tios, etc. Pessoas que me ensinam o tempo inteiro e me trazem paz ao coração. É uma parte de mim estas pessoas e dizer sobre elas, me faz dizer sobre mim e a caminhada que minha vida fez ao longo do tempo.
Rafael Henrique Pinto Magalhães
