Seguro residencial pode reduzir prejuízos, mas ainda é pouco contratado

De acordo com a Fenseng, apenas 14% das residências brasileiras são asseguradas. Enquanto em Alagoas, somente 3,69% dos lares são protegidos contra diversos sinistros.

Reportagem e gráficos Leandro Eduardo | Orientação Professor Beto Macário


Atualmente, uma residência está entre um dos bem mais valiosos e rentáveis. Dependendo de características como cidade, bairro e tamanho, ela pode custar milhares de reais. No entanto, muitas pessoas não possuem o mesmo cuidado que um automóvel, por exemplo. Geralmente, ao comprar um carro, muitas pessoas já incluem o seguro auto. Situação que não é tão recorrente quando nos referimos à uma casa, sendo que seu valor, geralmente, é muitas vezes maior que um carro. Atualmente, apenas 14% dos lares brasileiros possuem seguro residencial, uma modalidade essencial que pode reduzir prejuízos, mas ainda pouco contratado.

O que é seguro residencial e seus números

O seguro residencial é uma modalidade de seguro voltada para casas, apartamentos e sobrados, seja de moradia permanente ou de veraneio. Sua cobertura é multirriscos, ou seja, numa única apólice engloba vários seguros conjugados ou agrupados. A cobertura principal diz respeito aos danos causados por incêndios, queda de raios e explosão decorrente de gás durante o uso doméstico e suas consequências.

Embora seja fundamental para evitar grandes prejuízos, o seguro residencial ainda está engatinhando em território nacional. De todas as residências brasileiras, apenas 14,50% são protegidas pelo seguro residencial. A projeção para os anos 2016/2017 é de 12,16%, uma queda de 2,34% em relação aos anos anteriores. Essa redução é atribuída ao aumento do número de domicílios e a manutenção do número de habitantes por moradia.

O sudeste é a região com maior número participação, com 61,3%. Essa região possui 6,1 milhões de residências abonada pelo seguro residencial, de um total de 30 milhões. No cenário de estados, São Paulo e Rio de Janeiro representam uma fatia de 53,79% do prêmio referente ao território nacional. Todos esses dados foram levantados pela Info Estatísticas Seguro Residencial 2016, elaborado pela Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg).

Em Alagoas, o cenário ainda registra baixos índices. Dos 27 estados da federação, a terra dos Marechais ocupa a 18º posição no ranking de estados com maiores índices de penetração. Apenas 3,69% dos imóveis residenciais possuem seguros. O prêmio do seguro residencial em Alagoas entre 2015 e 2016 chegou apenas à R$9.350,742; à frente de estados como Rio Grande do Norte e Roraima, e atrás do Maranhão e Paraíba, ambos da região nordeste.

Estudo realizado pela Fenseg ranqueou os estados brasileiros de acordo com o índice de penetração do seguro residencial. No Distrito Federal (1º), 31,37% dos lares são assegurados, enquanto em Alagoas (18º) são apenas 3,69%.

Maryanne Leite, 22 anos, é uma das que fazem parte desse pequeno contingente de pessoas que contratam o seguro residencial. A estudante universitária conheceu essa modalidade de seguro pelo corretor. “Quando fiz o seguro do meu carro, ele me ofereceu o seguro residencial também”, disse.

No momento da contratação, Leite levou em consideração seus bens. “Caso ocorra um incêndio, eu não vou perder tanto do patrimônio, sabe? Sem contar que tenho serviços básicos, como encanador, eletricista, etc”. A moradora da Jatiúca possui uma apólice que cobre incêndios e serviços residenciais.

No entanto, não são todas as pessoas que tem a mesma consciência que Maryanne Leite. Cerca de 85,5% das residências brasileiras não são asseguradas contra episódios desagradáveis, como incêndios, queda de raio e explosão.

Por que o seguro residencial ainda é pouco procurado?

De acordo com Ailton José da Silva Júnior, popularmente conhecido como Júnior Seguros, corretor à 24 anos, a baixa popularidade desta modalidade de seguro está relacionada à falta de informações. “A pouca procura pelo seguro residencial está relacionada alguns pontos, como a falta de conhecimento e também a questão financeira, pois muitos não têm conhecimento sobre os valores; acha que é caro”.

Djaildo Almeira, diretor do Sincor, garante que o seguro residencial não é caro. (Foto: Seguro Notícias)

O diretor do Sindicato dos Corretores de Seguros de Alagoas (Sincor-AL) e corretor da Jaraguá Seguros, Djaildo Almeida, compartilha da mesma certificação de Júnior Seguros. “Acredito que falta consciência ou conhecimento sobre o produto. Uma vez que o valor da residência (apartamento ou casa) é financiado em muitas parcelas, geralmente mais de 15 anos, é o maior bem da família e o valor do seguro é muito pequeno em relação ao valor bem”, avalia.

Djaildo Almeida garante que o seguro residencial não é caro. “A média de um apartamento ou casa é em torno de 200 reais anuais. Ora se o segurado utilizar esses serviços durante o ano, o seguro termina saindo de graça”. Ele exemplifica: “Se o segurado chamar uma média de três atendimentos à um custo para a companhia de R$80,00, logo, estará saindo à R$240,00”.

Assim como outras modalidades, o valor do seguro residencial é cotado de acordo com uma série de condições. Ou seja, não existe uma quantia fixa, é tarifário. “A quantia é definida de acordo com o valor do imóvel; se é casa ou apartamento; e também os valores das coberturas que são contratadas”, disse Ailton José.

Ainda segundo o profissional, o valor do seguro residencial é personalizável e reflete o perfil do assegurado. “É muita particularidade de cada cliente, depende muito do que ele está procurando e quer cobrir, pois são infinitas coberturas. Desta forma, o cliente diz é o que quer ou não cobrir”.

O sindicato tem adotado várias medidas para disseminação do seguro residencial. De acordo com o Djaildo, o Sincor junto com as companhias seguradoras e os próprios corretores tem investindo em comunicação com os clientes, demonstrando os benefícios e coberturas agregadas ao seguro.

Baixo cenário econômico

O economista Rômulo Sales _____________ (Foto: Acervo Pessoal)

O economista Rômulo Sales também credita à baixa contratação de seguro residencial ao cenário econômico. “A baixa renda da população alagoana por si só já é um fator limitador”, avalia. Ele também salienta para questões geográficas. “Regiões onde acontecem muitos acidentes geográficos e climáticos têm mais tendência a ter mais seguros residenciais contratados”, exemplifica.

Sales, que também é pesquisador pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL), elaborou um estudo sobre o mercado securitário alagoano. Ele constatou que 82% do portfólio dos seguros contratados em Alagoas está concentrado em apenas 5 categorias, são elas: previdência privada, seguro automotivo, seguro de vida, DPVAT e RCFV. Ou seja, o seguro residencial não está incluso.

O pesquisador observou que “a taxa de crescimento do mercado de Alagoas acompanha o comportamento do mercado de seguros nacional”. O estudo examinou que os valores recebidos pelas seguradoras de Alagoas e no Brasil entre o período de 2003 e 2016 cresceram em ritmo lento.

Ao final do estudo, o profissional mantém-se cético sobre uma estimativa do mercado securitário para este e o próximo ano. “Fazer uma projeção precisa para os anos de 2017 e 2018 é um tanto arriscado, porém todos os dados aqui observados apontam para uma tendência ainda recessiva para o setor analisado”.

Assistências e cobertura adicionais

O gerente da SulAmérica sucursal Alagoas, Arthur Freire, atribui os baixos índices à falta de cultura por partes dos brasileiros em contratar esse tipo de seguro. Ele ressalta que “muitos inclusive não conseguem avaliar esse tipo de risco”. A SulAmérica é uma das principais companhias seguradoras atuando em mercado alagoano. Até agosto, foram fechados 410 contratos de seguros residenciais no estado.

Na maioria das vezes, o que atrai o segurado a contratar um seguro residencial, de acordo o gerente, é a assistência oferecida. A SulAmérica dispõe de três planos de assistência residencial: básico, especial e superior.

Os planos básico e especial abrangem serviços relacionados à encanador, chaveiro, desentupimento, conserto de eletroeletrônicos, limpeza de filtro do ar-condicionado, locações, vigilância, segurança, entre outros. Enquanto o plano “mais nobre” dispõe serviços de check-up residencial, kids e idoso; dedetização; limpeza de caixa d’água; montagem e transporte de móveis; instalação de chuveiros, chave treta, olho mágico; entre outros serviços.

A cobertura básica se restringe à três tipos de sinistros. Mas, o assegurado pode dar um upgrade em seu plano e incluir vários outros. (Ilustração: Leandro Eduardo)

Júnior Seguros disse que “não existe uma cobertura adicional mais preferida, ou seja, depende muito de cada cliente”. Mas, ressalta que danos elétricos e responsabilidade civil há em todas apólices. O gerente da SulAmérica também destaca algumas que são bem aceitas: perda de de aluguel, roubo e vendaval (em algumas regiões).

Casos de incêndios à residências são bastantes constante nos meios de comunicação. Arthur Freire disse que o que faz com aumente a contratação de seguros residenciais e alerte a população sobre seus benefícios são as notícias veiculadas na imprensa.

O caso descrito no áudio aconteceu em 10 de agosto num apartamento residencial situado na Jatiúca, parte baixa da Capital. De acordo com militares do Corpo de Bombeiros, o fogo teria sido provocado por um curto-circuito no ventilador. Na ocasião, a moradora não sabia se o apartamento havia seguro.

Dados conseguidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), apontam que incêndios à residência em Maceió são bem recorrentes.

A insegurança no estado também é um grande contribuir para contratação de cobertura adicional de roubos e furtos. O corretor Ailton Júnior diz que quando é casa, os proprietários possuem uma certa preocupação em contratar esse tipo de seguro. “Quando é apartamento, os clientes não estão preocupados com roubo”, ressalta.

Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública apontam que ano passado houve 362 casos de arrombamentos à residências em Maceió. Já de janeiro à agosto deste ano foram contabilizado 230 episódios deste tipo. Esse levantamento também foi conseguido por meio da LAI.

Atenção nunca é demais

Após verificar que existe uma necessidade de contratar um seguro para proteção de sua residência contra alguns imprevistos, é fundamental estar bem atencioso à todos os detalhes do processo. Mas, é preciso estar vigilante, principalmente, no profissional escolhido para intermediar essa contração.

Ailton José aconselha procurar um corretor de seguro habilitado, pois é o profissional mais indicado para prestar todos dados à respeito daquele produto. “O corretor vai passar para o cliente final o que realmente ele necessita. Ou seja, vai prestar uma consultoria. Então, seguro só com corretor de seguro”, afirma.

No site do Sindicato dos Corretores de Alagoas, existe uma lista disponível com todos os corretores associados, seja pessoa física ou jurídica. A lista é atualizada anualmente e conta com alguns dados dos profissionais atuantes em Alagoas como endereço residencial, telefone e também registro no Susep.

O diretor do Sincor explica que após o contato com o corretor habilitado, o assegurado deve verificar quais os riscos que sua casa ou apartamento podem ser cobertos. “Isso pode ser decidido em comum acordo com o corretor e dependendo pode ser o seguro mais básico ou o mais completo”. Por último, Djaildo Almeida recomenda a escolha da companhia de seguros que mais oferece benefícios.

Júnior alerta que mesmo na compra de um imóvel que tenha seguro, o proprietário deverá fazer uma nova contratação, pois o seguro é atrelado ao cadastro de pessoa física (CPF). “Seguro residencial não tem haver com a compra do imóvel. São situações diferentes”, sentencia.

No momento da contratação, peça auxílio

A estudante Maryanne Leite garante que o entendimento da apólice é muito simples e que seu corretor lhe deixou informada sobre todos pontos. No entanto, em casos de não compreensão de algum termo presente na apólice é sugerível que recorra ao auxílio jurídico. É o que recomenda o membro da Comissão de Direito do Consumidor da OAB seccional Alagoas Tércio Albuquerque.

O advogado afirma que a maioria dos contratos que tem determinada relevância são bem elaborado, desta forma, preveem várias hipóteses e utilizam termos jurídicos que o consumidor não possui habitualidade.

“Quando a pessoa vai fazer um investimento, ler a apólice e imagina estar contratando um serviço que o seguro vai prestar, quando em alguns casos não. O seguro pode ter cláusulas que tire a responsabilidade em algumas situações”, alerta o especialista, e completa: “nesse sentido, é importante ter um profissional para esclarecer os termos jurídicos e linguagem utilizada”.

Albuquerque também defende a figura do advogado para identificação das cláusulas abusivas. “As cláusulas abusivas em contratos de seguros são mais referentes à questão da responsabilidade”, exemplifica.

Mas, o membro da Comissão também reconhece a importância desta modalidade de seguro.

“O seguro residencial é um investimento muito importante ao consumidor, ante toda violência que tem em nosso país, os índices de periculosidade são muitos altos e o investimento é barato”.

Como receber e a perda de indenização

Para receber a indenização de um sinistro ocorrido em sua residência, é preciso que siga um passo-a-passo. Depois do cliente informar a central de sinistros, a empresa seguradora irá analisar o episódio e requerer a documentação do cliente. Veja o passa-o-passo abaixo:

Para cada sinistro existe um tipo de documento diferente. “Acontece um incêndio, é uma documentação; acontece um dano elétrico, é outra; acontece uma queda de raio, é outra, e assim sucessivamente”, disse Júnior Seguros.

Mas, de acordo com a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), para receber a indenização é preciso que o valor do prejuízo do sinistro supere a quantia da franquia. A franquia é a parte do prejuízo que necessita ser arcada pelo assegurado.

Para evitar enganos ou perda da indenização, o assegurado deve prestar atenção no que está incluso na apólice. “Existem cláusulas de exclusões que devem ser lidas, pois o seguro é um contrato e existem coisas que tem cobertura e outras que não”, alerta o corretor securitário.

Arthur Freire, gerente da SulAmérica, garante que o prazo máximo para indenização é de 30 dias, após a constatação do sinistro e início do processo.

Diferenças dos seguros imobiliários

O assegurado deve entender que seguro residencial difere algumas outras modalidades de seguro imobiliários. Abaixo destacamos as principais diferenças entre seguro residencial, condomínio e habitacional.

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