É apenas uma sessão de terapia

Entra. Senta aqui na minha varanda. Desfrute desse ar puro e esse céu azul enquanto preparo um chá pra nós. De camomila, pra curar esse seu pulinho no peito. Fique à vontade. Minha vitrola está aí ao seu lado e tem também essa pilha de vinis. Pode escolher, prefere Chico ou Caetano ? Um conselho, se for me contar sobre as dores do coração e os conflitos de relacionamento, melhor evitar Chico, fique mesmo com Caetano e seu astral solar. Ah, mas não se apegue só a estes, tenho Djavan aí também, se caso preferir filosofar, ou Bethânia se a conversa for mais intensa. Pode escolher aí, enquanto corto esse bolo de fubá pra nós.

Pronto! Agora fale do seu amor, me conte sobre sua dor. Vá, me reclame sobre a vida, vamos curar essa ferida. Se não estiver tão à vontade, deite-se, tire os sapatos, esqueça o que te falaram sobre nós, que somos loucos, ou que tratamos de loucos. Vamos simplificar, deixa eu cuidar da sua mente, me dê licença pra adentrar ao teu mundo e cicatrizar essas feridas. Eu só quero aliviar os seu fardos, todo esse seu sofrimento tem que voar como aqueles dentes-de-leão quando assoprados. Pra que a vida, se não, leve? Agora é minha vez de escolher, vamos escutar Lenine pra simplificarmos a vida.
“Tá cansada, senta
Se acredita, tenta”
“Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance”
“Se venceu, celebre”
(Do It — Lenine)
Deixa eu te mostrar que a vida leve existe, não sou eu quem te trago, eu só te abro os olhos para enxergar que ela existe sim. Deixa o ar bater na sua pele, deixa os problemas virem, como se fossem exercícios de matemáticas que você tem que resolver e entregar de volta ao professor. Se está certo ou não, nada importa. E sim, que foi entregue, que foi concluído, para as preocupações se esvaírem e ficar somente a mente e o coração leve.
Era pra ser apenas mais uma sessão de terapia, mas foi bem mais que isso.