Músicas para sentir

Você já ouviu alguma música que te tirou do lugar ? Que ecoou como uma viagem imaginária, daquelas que a gente se perdem em pensamentos soltos e sonhos acordados ? Aquela música que transcende, que nós não apenas ouvimos, mas que no transportam para outras dimensões ? Pode ser que esse seja um sentimento que talvez só eu tenha em relação à música. Talvez ninguém tenha a percepção que eu tenho de que algumas músicas não são apenas para serem ouvidas e sim sentidas e vividas.

Quando dou o play em Clube da Esquina nº 2 ou Noites Com Sol, trata-se do ritual de imersão criativa que faço para começar a escrever, é como se fosse um incenso que chama a Deusa pra um café ao meu lado, e a inspiração começa a brotar. Deixa de ser apenas música, e passa a ser mágica.

A mágica continua com as viagens imaginativas que Belchior consegue nos proporcionar com Apenas um Rapaz Latino-Americano e Alucinação. Não há como não se ver sentado à uma varanda de uma casa de campo, com um vinil ao lado, o vento esparramando os cabelos e o horizonte todo azul para contemplar.

Se a noite cair, e esse horizonte tiver apenas estrelas, tente sintonizar um Sozinho, e deixar a vida Caetanear sozinha, a música vai direcionar seus pensamentos como se fosse um guia de sentimentos e você vai poder chorar sem nenhuma culpa, seja de desabafo, de acalento, ou apenas de uma boa lembrança que te trouxe. Tente isso também com Amado, Brincar de Viver e Cheiro de Amor, já que Vanessa da Mata e Maria Bethânia também nos transportam para outros patamares do inconsciente.

Essas músicas podem nitidamente serem a substituição dos seus Rivotris, Diasepans, Sertralinas, Paroxetinas e Fluxetinas para sempre. Deixe um Tim Maia, curar suas crises de ansiedade com Eu Amo Você, nos picos da depressão Djavaneie com Sina e sinta as boas energias que isso pode te trazer.

Nossa, mas você só tem vinte e três anos e conhece todas essas músicas ? É o tipo de perguntas que eu estou sempre vulnerável à ouvir, até porque ouvir música nacional é, hoje em dia, sinônimo de estranheza, isso assusta ainda mais se não forem as músicas pop do momento, ou aquele sertanejo universitário que está na boca dos jovens. Mas sim, tenho apenas vinte e três anos e conheço essas músicas, não só, como Alceu Valença, Gilberto Gil, Elis Regina, Fagner, Ivete Sangalo, Los Hermanos, Capital Inicial, Mallu Magalhães, Maria Gadú, Daniela Mercury…ah e por falar em Daniela Mercury, a mesma como inspiração pra esse texto disse em seu show enquanto cantava Nobre Vagabundo: “Minha gente, cadê as musicas brasileiras nas rádios, nas festas, nas casas noturnas, nos festivais, não se vê mais quase nenhuma musica nacional no nosso país, estamos consumindo só conteúdo estrangeiro, estamos perdendo a nossa identidade cultural” — Tal discurso, nos faz refletir, o quanto nos desvalorizamos enquanto cultura e o quanto poderíamos realmente estar sentindo e vivenciando com essas músicas e estamos apenas deixando-as de lado.