O que leio para escrever

Na minha primeira postagem, confessei que estava escrevendo um “…livro de contos sobre fé, descrença e desespero, sobre como as pessoas reagem quando precisam acreditar/deixar de acreditar.” As histórias irão além desse resumo, é verdade, mas ele capta bem o teor do que quero trazer à vida.
Ter um tema é reconfortante, embora isso represente 4,82% de todo o trabalho que ainda está por vir. É preciso, entrementes, ler, e ler muito, como diria Stephen King em seu maravilhoso Sobre a Escrita (sim, Stephen King; sim, maravilhoso). Vejamos:
“A leitura constante vai colocar você em um lugar (ou estado mental, se preferir) em que é possível escrever com paixão e sem inibição. Ela também oferece um conhecimento crescente sobre o que já foi feito e ainda está por fazer, o que é velho ou novo, o que funciona e o que está morrendo (ou já morreu) sobre a página. Quanto mais você ler, menos estará propenso a fazer papel de bobo quando for escrever algo”.
Soa bem, acho. Não fazer papel de bobo porque leu o bastante. Infelizmente, com a vida digital tolhendo CADA ASPECTO DA NOSSA JÁ CURTA EXISTÊNCIA, devo confessar que tenho lido menos. A boa notícia é que nos últimos meses, por causa do projeto, venho conseguindo ler mais, e uma leitura mais focada, que busca caminhos criativos para os contos.
Nesse momento, minha atenção volta-se para os seguintes livros:
- Como Funciona a Ficção, de James Wood — Crítico inglês, firme e técnico. Fala dos mistérios da ficção como poucos. Com ele, fica a missão de fazer desaparecer, sempre que possível e necessário, a voz do narrador. Hard task.Lendo e relendo.
- Sobre a Escrita, de Stephen King — Aqui só vou repetir o que já disse: maravilhoso, apesar de todo o preconceito que eu nutria.
- Deus, de Fredéric Lenoir — Investiga as diversas visões que existiram e existem sobre Deus. É uma abordagem filosófica nada sacal. De bônus, temos um pesquisador que não julga a experiencia alheia.
- Crer é Também Pensar, de John Stott — “o autor deixa claro o lugar indispensável da mente e da capacidade intelectual na vida cristã”.
- Os irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski — Gente, o que é esse livro? São mais de 900 páginas da mais profunda análise das questões existenciais, numa mistura louca: Deus, luxúria, vaidade, mesquinharia, arrependimento, amor ao próximo. Eu estou na página 313, ainda me perguntando como alguém conseguiu escrever dessa forma. Brilhante!
- Deus, um Delírio, de Richard Dawkins — um post só pra ele, por favor.
E assim vou bebendo da fonte alheia.
E assim, como um abismo, me encerro por hoje.