Reformando um criado mudo

Dando uma nova vida a um criado mudo perdido num brechó do subúrbio do Rio de Janeiro.


Estou de mudança e o quarto do novo apartamento é muito maior que o atual. Então resolvi adicionar um criado mudo, também conhecido por mesa de cabeceira, pra dar uma complementada no ambiente.

Dei uma pesquisada nas principais lojas e em geral o preço é meio salgado ou o móvel não é de boa qualidade. Então resolvi meter a mão na massa e reformar um.

O processo todo foi bem divertido e com uma equipe de 3 pessoas (ajudinha da minha mãe e do meu pai) não levou mais que um final de semana para ficar pronto.

O preço também ficou bem razoável para um móvel de madeira com um bom acabamento. Juntando tudo ficou por menos de R$ 200,00.

Primeiro Passo: Achando o móvel

A busca foi relativamente fácil. Achei o criado mudo no primeiro brechó que entrei pela bagatela de R$ 50,00. Não chegou a ser amor a primeira vista mas pareceu uma boa base pro projeto. A madeira ainda estava boa e de forma geral não estava muito danificado.

Posteriormente descobri que ele tem pelo menos 30 anos de existência. Tinha uma etiqueta colada embaixo dele com um telefone de 6 dígitos e com o preço de Cr$ 20,00. Os números telefônicos de 6 dígitos duraram até o final da década de 80. O preço também indica essa data já que depois de 90 a inflação subiu absurdamente.

Infelizmente não consegui ir muito longe na busca pelo nome da fábrica, mas saber que ele é mais velho que eu já me deixou satisfeito. Curto muito coisas com um contexto histórico.


Segundo Passo: Lixando

Originalmente o criado mudo era marrom escuro provavelmente por causa de uma camada de verniz antiga. O verniz já estava bem desgastado mas as pernas tem algumas dobrinhas bem chatinhas de lixar. Foi a parte mais cansativa da reforma.

Usei lixas com granulações 100, 120 e 160 para o trabalho pesado e acabamento. Foram 12 no total e custaram R$ 8,00.

Com duas pessoas trabalhando levou menos de duas horas para lixar tudo. O ideal seria ter usado uma lixadeira mas acabamos fazendo com as mãos mesmo. No final o móvel estava na madeira crua e nossos dedos completamente lisos.

O tampo da mesa estava muito danificado, então removi ele completamente e comprei uma folha de madeira por R$ 10,00 numa madeireira.

Para fixar usei cola comum e 4 preguinhos nas pontas.

Juro que por um momento pensei em passar apenas um verniz transparente sem brilho e ficar com ela assim mesmo. Essa cor de madeira crua é muito bonita. Porém pro projeto atual do quarto preciso de algo mais chamativo.


Terceiro passo: Fundo preparador para a pintura

Antes de partir para tinta definitiva foi necessário passar um fundo preparador branco. Isso permite que a tinta final não fique com variações de cor por conta da coloração da madeira. Uma ou duas demãos são suficientes e cada uma leva de 6 há 8 horas para secar.

A tinta não precisa ficar uniforme, já que serve apenas como base. Se ficar razoavelmente branco já da para pintar. O importante é respeitar o tempo de secagem para que a tinta possa aderir bem depois.


Quarto passo: Pintando

Depois de uma noite secando começamos o processo de pintura. Para chegar ao resultado ideal foram necessárias 3 demãos de tinta. Cheguei a essa tonalidade de amarelo mandando fazer a tinta na Coral, porém outras casas famosas de tinta possuem o mesmo serviço.

Uma, duas, três demãos

No total gastei R$ 85,00 com as tintas e o material de pintura. Não fiz muita pesquisa antes de comprar, mas tenho para mim que da para encontrar mais em conta.


Quinto passo: Acessórios

O puxador da mesa estava quebrado então precisei comprar um novo. Comprei um de metal com detalhes dourados e aparência de antigo por R$ 3o,00 no Centro do Rio de Janeiro.

Além disso precisei comprar um pouco de feltro azul por R$ 10,00 para fazer o forro da gaveta. E colocar nos pés da mesa.


Resultado final

Curto muito trabalho manual e gosto demais de história. Consegui juntar os dois na reforma desse criado mudo.

Não poderia ter ficado mais satisfeito com o resultado.

Coisa linda né?

Acho que tem muito espaço para esse tipo de móvel no Brasil. Móveis com contexto histórico e de boa qualidade.

Geralmente móveis bonitos e modernos tem um custo surreal ou são feitos com material barato (MDF, compensado) que não trazem o visual e durabilidade desejada.

Contrastes de cores e estilos costumam funcionar muito bem e ajudam a quebrar a monotonia das decorações vendidas pelas grandes varejistas.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.