A ditadura do politicamente correto ameaça o Ocidente

Digamos que alguém muito mal intencionado quisesse impor um regime totalitário. A maneira mais direta de fazê-lo seria impor, por meio da força, tal regime.

Imagine que eu fosse tal sujeito e tivesse ao meu alcance os meios para impor uma ditadura. A partir de hoje, todos precisam obedecer a mim. Quem não obedecer será fuzilado imediatamente.

Para que tal arranjo funcionasse, do meu ponto de vista, eu precisaria ter os meios necessários para impô-lo, ou seja, eu precisaria de um número mínimo de aliados com capacidade de fogo para fazer as pessoas obedecerem ao meu comando.

Mesmo nesse caso, a minha capacidade de manter o poder estaria limitada pelo tempo que eu tivesse à disposição tal força. As pessoas tendem a se revoltar contra governos injustos.

Existe uma outra forma de poder muito mais consistente e duradouro, o poder gerado pelo apoio “voluntário” de um grupo significativo de cidadãos, que não precisa nem mesmo representar a maioria. Lembrem, Hitler chegou ao poder com o apoio de 1/3 dos alemães, Lênin com uma representatividade ainda menor.

Tanto os comunistas quanto os nazistas perceberam logo que a manutenção do poder depende da sua capacidade de impor a sua narrativa, através da propaganda política.

O principal elemento da propaganda política é a manipulação da realidade. Tal manipulação só pode ser construída através de um elemento legítimo, uma base de verdade, que é manipulada para que se chegue ao resultado almejado pelo seu criador.

Por exemplo, retomando meu plano ditatorial apresentado há pouco, se eu exprimir o meu desejo de criar um regime político onde eu tenha todo o poder em minhas mãos, dificilmente conseguirei muito apoio. E se eu tentar impô-lo à força, terei dificuldades.

Mas se eu modificar a mensagem, utilizando os princípios da propaganda política, terei chances de sucesso muito maiores.

Por exemplo, eu posso iniciar o meu projeto através da defesa de uma MUDANÇA do atual arranjo político, em busca de mais IGUALDADE entre os seres humanos, atacando as INJUSTIÇAS e defendendo os DIREITOS dos EXPLORADOS.

Voilà.

Com poucas palavras, as pessoas estarão dispostas a ouvir o meu projeto de poder totalitário, e até mesmo apoiá-lo, especialmente num ambiente “democrático”, onde todos tem direito a um voto. Como por definição 50% ou mais das pessoas são na melhor das hipóteses medíocres, eu terei grandes chances de sucesso.

Nenhum regime no mundo teve mais sucesso em produzir tal grau de manipulação da realidade ou imposição do poder através do terror do que o comunista.

Desde a época da URSS, os comunistas perceberam que precisavam atacar a base de formação das crenças dos cidadãos ocidentais, que nada mais é do que a moral judaico-cristã e todos os seus desdobramentos, como a livre iniciativa, a família e o Direito Natural.

Para atingir tal objetivo, surgiu no início da década de 60 nos EUA a “New Left”, filha da Escola de Frankfurt, com o objetivo de desconstruir a Civilização Ocidental.

Os desdobramentos atuais podem ser observados no colapso dos valores conservadores e a total incapacidade dos jovens de entender a realidade e defender os seus interesses.

Em nome da “liberdade sexual” e da “ideologia de gênero”, eles se entregam às gratificações dos sentidos, quase sempre resultando num sentimento de vazio existencial e confusão mental.

Defendendo a “igualdade”, defendem a intervenção estatal, por meio de impostos cada vez maiores e regulamentações das empresas, que geram um menor crescimento econômico e menos chances de emprego e de prosperidade.

Sugerindo que os criminosos são “vítimas da sociedade” e precisam ser protegidos, cria-se um sistema judicial benevolente e incentivador de mais violência, produzindo o caos social.

O último truque dos totalitários que manipulam os ingênuos é a luta contra o “discurso do ódio”, contra o “racismo”, em nome do multiculturalismo e da inclusão. O resultado é o fim da liberdade da expressão e da capacidade de resistência contra o ataque aos mais caros valores ocidentais.

Esse último movimento tem como objetivo impedir as críticas aos estragos produzidos pela esquerda nas últimas décadas.

Pegando o exemplo do último atentado terrorista em Londres, onde terroristas muçulmanos produziram dezenas de mortes e feridos, algumas semanas depois que um outro terrorista muçulmano explodiu mais de 20 adolescentes num show de música pop.

Investigações ainda em curso mostram que os terroristas não escondiam a sua simpatia pelo ISIS e sua retórica extremamente violenta. Provavelmente nada aconteceu com eles porque as autoridades, a imprensa e os cidadãos não agem contra eles com medo de serem considerados intolerantes e racistas. No episódio de Manchester, vizinhos do terrorista disseram exatamente isso à polícia, desconfiavam do sujeito, mas não queriam ser vistos como racistas.

O receio não é infundado. No dia posterior ao último ataque em Londres, 35 pessoas foram presos justamente acusadas de “discurso de ódio”, nesse caso “islamofóbico”. Mais gente foi presa por esse motivo do que por efetivamente participar de atos terroristas. O próprio prefeito de Londres, muçulmano, disse que não tinha como vigiar os 400 ingleses que retornaram do Oriente Médio após lutarem pelo ISIS, pois ele não iria “perseguir cidadãos”.

Se Hitler criasse o nazismo hoje, provavelmente seria protegido. Ora, nem todos os nazistas defendiam a violência, só uma pequena fração efetivamente matou alguém, não é mesmo?

Não há o menor interesse em estudar e descrever quais são as bases da ideologia islâmica. Nem perceber a óbvia ligação entre essa ideologia e um nível altíssimo de violência e intolerância. O que importa é “ser tolerante”.

Será que é tão difícil assim perceber que a tolerância com os intolerantes gerará uma sociedade intolerante, no pior sentido do termo?

Para entender o ponto que a loucura atingiu, na Alemanha uma mulher foi estuprada por uma gangue de muçulmanos, mas mentiu para a polícia sobre o crime, para não incentivar a “islamofobia”.

A própria imprensa europeia recebeu diretrizes sobre como deve tratar a violência produzida por imigrantes muçulmanos, tomando cuidado para “não recorrer ao discurso de ódio”. Vários veículos europeus simplesmente não publicam mais fotos dos terroristas ou os seus nomes. Na Suécia, país que proporcionalmente recebeu mais “refugiados” muçulmanos, simplesmente parou de fazer estatísticas de crimes cometidos por eles, depois que os números mostravam uma proporção muito maior de violência cometida por imigrantes do que por nativos.

O problema é muito mais sério do que uma operação de ocultação da verdade por parte da imprensa e das autoridades. No Reino Unido, as autoridades permitem que cortes islâmicas operam à margem da lei do país! Na Alemanha, patrulhas islâmicas que intimidam muçulmanos e não muçulmanos a seguir os preceitos da Sharia foram consideradas legais. Em outro caso, uma corte alemã definiu um ataque incendiário contra uma Sinagoga “uma crítica contra Israel” e não um ato anti-semita.

A polícia alemã foi ordenada a não gerar estatísticas sobre estupros cometidos por imigrantes islâmicos.

Resumindo, a mordaça psicológica e cultural imposta aos cidadãos europeus permitiu que milhões de pessoas com valores completamente diferentes e incompatíveis com a Civilização Ocidental fossem aceitas nos seus países, produzindo violência, pobreza e decadência.

Do outro lado do Atlântico, a situação não é tão crítica, mas não pela falta de vontade da esquerda, que não poupa esforços para limitar a liberdade de expressão, utilizando o truque do “discurso de ódio” e da luta contra o “fascismo”. Ainda há uma base conservadora que trabalha na defesa dos seus valores, mas ela está a cada dia mais ameaçada.

Umas das bases de fundação da América é a defesa da liberdade, especialmente da liberdade de expressão, através da Primeira Emenda, que expressa claramente:

“O congresso não deverá fazer qualquer lei a respeito do estabelecimento de uma religião, ou proibir o seu livre exercício; ou restringindo a liberdade de expressão, ou da imprensa; ou o direito das pessoas de se reunirem pacificamente, e de fazerem pedidos ao governo para que sejam reparadas as suas demandas”.

Thomas Jefferson chegou ao ponto de afirmar:

“Se pudesse decidir se devemos ter um governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria um instante em preferir o último.”

A defesa da liberdade de opinião é algo tão profundo na cultura americana que até mesmo os discursos mais grotescos estão amparados pela Primeira Emenda. Num primeiro momento, a Suprema Corte usou como modelo para decidir sobre os casos de Primeira Emenda o teste de “má tendência”, amparada na common law inglesa, avaliando se o discurso em questão apresenta uma tendência de prejudicar o bem-estar social. A partir da década de 50, a Corte passou a utilizar o teste de “perigo real e imediato” para definir se algum discurso está amparado pela Primeira Emenda. Em outras palavras, se o seu discurso produzir a incitação a um crime claro no curtíssimo prazo, ele não seria legal. Ou seja, a Primeira Emenda ficou ainda mais protegida.

Se do ponto de vista legal nos EUA há um forte aparato de proteção à liberdade de expressão, diferentemente do Velho Continente,do ponto de vista cultural a livre expressão está sendo ameaçada pela esquerda, especialmente no meio acadêmico.

Em Berkeley, Universidade que foi berço do movimento pelos direitos civis nos EUA na década de 60, o polemista Milo Yiannopoulos foi impedido de dar uma palestra por ser considerado um “fascista” por hordas de movimentos esquerdistas, formadas em grande parte por estudantes, sob proteção da diretoria da própria instituição e do prefeito da cidade, que impediu a polícia de combater os agressores.

Não foi um incidente isolado. Diversas pessoas ligadas ao movimento conservador são sistematicamente atacadas.

A regra é simples: se você não compactua com os ideais revolucionários socialistas, como um governo gigante e provedor, o ataque aos valores judaico-cristãos, o gayzismo, o abortismo, o feminismo, a teoria da exploração de classes, a defesa dos negros, índios, imigrantes e qualquer outra “minoria oprimida”, a crença nas mudanças climáticas, além do “globalismo humanista”, você é um fascista e não tem direito de expressar as suas ideias, pois tal ato por si só representa uma agressão.

Charles Murray, um cientista político conservador que cometeu o pecado de escrever um livro provando que a política de bolsas governamentais está fadada ao fracasso pela produção de uma sociedade formada por fracassados foi atacado violentamente na Universidade de Middlebury, chegando a ser hospitalizado. Mais de 150 alunos participaram da arruaça, mas nenhum foi severamente punido.

Enquanto um professor conservador sofre violência física por expressar as suas ideias, todo o dia nessas mesmas universidades milhares de professores esquerdistas fazem a defesa de uma ideologia que matou milhões de seres humanos e provocou sofrimentos inimagináveis a tantos mais, sem nenhuma oposição.

O roteiro é quase sempre o mesmo: após o anúncio de algum palestrante conservador numa universidade, grupos esquerdistas se organizam para impedir o evento através de bloqueios, vaias e ameaças, muitas vezes com o apoio da própria reitoria. Quando tal atitude não é suficiente para acabar com o evento, eles partem para a violência física.

O objetivo é impedir que novos eventos desses sejam organizados, pois tanto os estudantes conservadores que o organizam como os palestrantes passam a ter cada vez mais receio, criando então uma espiral de silêncio.

Não são apenas pensadores conservadores que são perseguidos nas universidades, mas os seus próprios professores. O professor de biologia Bret Weinstein, da Universidade de Evergreen State foi perseguido por simplesmente se opor a um dia “livre de brancos”, evento organizado por um movimento negro que apresentava uma série de atividades para lembrar a opressão sofrida por negros. Os organizadores não queriam a presença de alunos brancos nesse dia. Quando Bret se opôs, sugerindo que o evento era racista e discriminatório, ele passou a ser atacado, com alguns alunos exigindo a sua demissão. Detalhe, Bret se considera um socialista.

Faz tempo que a esquerda busca a hegemonia nas escolas e universidades e parece que finalmente tal situação foi alcançada. O resultado está aí: uma geração que acredita no socialismo apesar de todas as experiências negativas que esse sistema criou ao longo da história. Numa pesquisa recente feita em universidades americanas, 25% dos alunos responderam que o presidente George Bush matou mais gente que Stalin. Segundo pesquisa do Instituto Gallup, 55% dos americanos com menos de 29 anos tem uma visão positiva do socialismo, contra 35% do resto da população.

Os alunos de hoje serão os próximos advogados, juízes, políticos, jornalistas, empresários, enfim, os próximos líderes. É óbvio que eles carregarão os valores desenvolvidos nas universidades comunistas de hoje em dia.

Você pode pensar que de qualquer forma, a internet livre está aí para disseminar todas as visões e servir como um antídoto à infiltração da esquerda nas universidades, correto?

Infelizmente esse não é o caso. Novamente, utilizando a postura politicamente correta, as grandes empresas que dominam a internet suprimem a liberdade de expressão. Google, Facebook, Twitter, entre outras empresas que controlam quase todo o conteúdo consumido hoje em dia, bloqueiam o conteúdo conservador de diferentes formas, conforme já expliquei em outro artigo.

Para completar, temos a grande imprensa funcionando como um aparelho de partidos esquerdistas, em conjunto com o meio artístico.

Ou seja, o plano de Revolução Cultural traçado pela esquerda ainda na década de 60 deu certo. O exército de zumbis está criado, facilitando a criação de um sistema global de poder que fará a antiga URSS uma brincadeira de crianças, sem a necessidade de dar um único tiro.

A eleição de Donald Trump foi um tropeço para os socialistas, mas não muda radicalmente a ameaça que pesa sobre o Ocidente.