O fim do superciclo do crédito e a dor da geração mimada

Os Estados Unidos apresentam a pré-campanha presidencial mais caótica das últimas décadas. Um pré-candidato em especial representa o maior risco para o país e para o mundo desde o fim da União Soviética. Ele profere absurdos em série e pode destruir a maior economia do planeta.

Se você pensou em Donald Trump, você está errado!

A maior ameaça para o país está na candidatura de Bernie Sanders, um auto-proclamado “socialista democrático” que defende as falidas ideias esquerdistas do governo gigante e provedor onde tudo é “de graça”, imposto de renda de até 90% e que coloca a responsabilidade de todos os males da humanidade, do aquecimento global até unha encravada nos grandes bancos e no sistema capitalista.

Na disputa com Hillary Clinton, talvez a melhor representante da “esquerda caviar” do país, ele tem a preferência especialmente dos mais jovens que enxergam com muita simpatia a ideia do “governo grátis”. Os Millenials, como são chamados aqueles nascidos após 1980, viveram a fase mais próspera da história. Pegaram o boom do crescimento econômico das décadas de 80,90 e 2000, onde o mundo surfou no superciclo do crédito. A maioria deles não teve contato com a ameaça comunista e com os horrores do regime que matou mais de 100 milhões de seres humanos e produziu miséria completa onde foi implementado.

Eles tiveram acesso a bonança gerada pelo capitalismo e por um regime republicano sério e viraram presas fáceis para os políticos socialistas que não só sobreviveram mas prosperaram no mundo pós Muro de Berlim. Anunciada a vitória do capitalismo contra o comunismo soviético ( o conflito colocado nesses termos já serve aos interesses da esquerda), observamos o crescimento sem precedentes do “socialismo democrático” de Sanders, que é a versão mais palatável do velho socialismo soviético.

Desde a década de 50 a esquerda mundial percebeu que a revolução na ponta do fuzil seria algo muito difícil de prosperar. E passaram a apostar todas as suas fichas na revolução cultural. Desde então vivemos uma verdadeira guerra nos bastidores, com os esquerdistas tomando de assalto as universidades, a imprensa em geral, os livros e filmes, as religiões e praticamente todas as ONG’s, chegando ao domínio completo de instituições com a ONU.

O trabalho foi tão bem feito que no espaço de duas gerações temos um esquerdista radical com reais chances de chegar a Casa Branca. Diante de Bernie Sanders até mesmo Obama pode ser considerado um moderado.

Mesmo que Sanders não chegue na Casa Branca, o sucesso da sua pré-candidatura liga a luz vermelha sobre a situação política nos EUA e em outros países desenvolvidos. Quando um grupo significativo de eleitores, especialmente mais jovens de um país desenvolvido caem na conversa fiada do governo pai de todos é sinal de nuvens negras pela frente.

Especialmente se levarmos em conta os claros sinais do fim do superciclo de crédito, ancorado numa fase de crescimento econômico sem precedentes depois do final da Segunda Guerra Mundial. As rachaduras no mercado financeiro global ficaram aparentes no crash da virada do milênio, que ficou conhecido como a crise das empresas ponto com, ainda em 2000.

A verdade é que o mundo nunca se recuperou de fato depois de atingir aquela máxima. Para se ter uma ideia, o Nasdaq Composite, principal índice do setor de tecnologia que foi o epicentro da crise em 2000 atingiu o seu pico novamente apenas em meados de 2015! Mesmo o S&P 500, o índice que representa as 500 maiores empresas americanas está apenas 23% acima do topo de 2000, uma performance medíocre para 15 anos de mercado.

Desde o crash de 2000 o Banco Central americano segue uma política de corte de juros que foi radicalizada com o crash de 2007. Desde então os juros não foram apenas levados a zero ou quase zero, mas o FED comprou mais de 4 trilhões em títulos para injetar dinheiro no sistema. Outros bancos centrais seguiram até medidas mais agressivas, como taxas de juros negativas e recompras de títulos ainda mais representativas em relação ao seu PIB.

Essa enxurrada de dinheiro barato inundou o planeta e foi um dos maiores responsáveis pelo crescimento da China, a última grande fronteira do mundo a ser desenvolvida pelo capitalismo global. A ditadura chinesa aceitou de bom grado o dinheiro americano, europeu e japonês. Em troca os donos do dinheiro aceitaram enriquecer os corruptos líderes do partido comunista chinês que são sócios em todos os negócios no país.

A bolha chinesa dá sinais de esgotamento e com ela vira fumaça os aparentes sucessos dos regimes socialistas do século XXI, como diria Hugo Chávez. Os regimes populistas latino-americanos entram em colapso com a queda das commodities. Com as suas economias ineficientes amarradas por altos impostos, direitos trabalhistas infinitos, burocracia estatal corrupta e inchada, os países pobres que acharam ter descoberto um atalho para a prosperidade sem esforço voltam a ser simplesmente pobres. Alguns mais pobres do que eram antes desse ciclo de falsa prosperidade. Como uma desgraça nunca vem sozinha, em vários desses países o colapso econômico é acompanhado de regimes totalitários montados enquanto as pessoas estavam felizes com as suas bolsas e subsídios governamentais.

Se há uma lição que os primos pobres do continente americano podem dar aos seus parentes ricos ao norte do Rio Grande é que o “socialismo democrático” é tão ruim ou mesmo pior que socialismo totalitário. Se alguém argumentar que no socialismo atual não enxergamos os gulags soviéticos, contra-argumento apresentando as taxas de homicídio desses países. Nos últimos 10 anos no Brasil apenas tivemos mais de 600 mil homicídios! Em Caracas há uma taxa de homicídio de 200 por 100 mil habitantes, maior que em Bagdá!

O resultado do socialismo democrático na Venezuela.

O que violência tem a ver com o socialismo? Tudo! A ideia socialista que o criminoso é uma vítima da sociedade gera um sistema legal permissivo onde é quase impossível ser punido severamente. A união de uma Justiça leniente com a o desarmamento “progressista” gera a epidemia da violência que vemos no Brasil.

Os jovens americanos sofrendo os efeitos da lavagem cerebral esquerdista estão prestes a acelerar o processo de destruição do seu país e por tabela, do mundo.

Se levarmos em conta o fim do superciclo do crédito, temos um conflito com potencial catastrófico ainda maior.

O que acontecerá quando essa geração de mimados tiver que encarar a realidade de recursos escassos? Quando o europeu que passou a vida inteira como dependente do estado do bem-estar social estiver recebendo cada vez menos porque esse estado chegou no seu limite de endividamento? Nesse momento os esquerdistas aprenderão que dinheiro não dá em árvore.

E eles se voltarão com ainda mais fome no saque do patrimônio dos sujeitos mais ricos. “‘É uma questão de distribuição mais justa”, diria Bernie Sanders com os aplausos do seu prostituto intelectual favorito, Thomas Piketty.

Lindo.

Só há um problema nessa linha de raciocínio: retirar todos os incentivos para os seres humanos mais capazes, aqueles que de fato carregam o mundo nas costas, irá diminuir a criação da riqueza. Não é por acaso que o nível de inovação na Europa tem diminuído ano a ano. Para que eu vou trabalhar 20 horas por dia para criar o próximo Facebook se o governo tomará 90% do que eu gerar? Melhor ganhar uma bolsa do governo e escrever um livro sobre como tomar dinheiro dos outros numa universidade famosa.

A solução para o problema atual seria trilhar exatamente o caminho oposto: aumentar a liberdade do mercado e manter um Estado de Direito rígido para criar um ambiente de inovação e aumento de eficiência sem precedentes. As condições estão aí: temos a internet unindo as pessoas como nunca, as informações estão disponíveis a todos em tempo real. O livre mercado mesmo com todas as amarras do “socialismo democrático” está conseguindo manter o crescimento da economia, mas as condições políticas parecem piorar a cada dia.

Apesar da minha torcida por mais liberdade sei que se trata do cenário menos provável.

Nesse caso, creio que esse ambiente de punição aos poupadores através de juros negativos e aumento de impostos deve permanecer vigente por muito tempo.

Por conta disso acredito que a economia real terá cada vez mais importância na busca de retorno sobre investimentos. A capacidade de gestão eficiente de negócios será algo cada vez mais valorizada. A gestão mais ativa do patrimônio também será uma necessidade, pois a velha tática de diversificar e esperar o tempo fazer o trabalho de acumulação de juros sobre juros dará cada vez menos certo. Defender o patrimônio da sanha socialista e fazê-lo crescer num mundo de juros negativos será cada vez mais difícil.

Também é preciso ficar atento para mudanças abruptas, pois da última vez que houve o fim de um superciclo de crédito o resultado foi o maior conflito armado da história.

Hoje a existência de armas de destruição em massa diminui a chance de uma guerra do mesmo estilo, mas aumenta a chance de aprofundamento da guerra cultural e busca de concentração de poder mais sutil, porém altamente totalitário.


Originally published at blog.libertaglobal.com on June 6, 2016.

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