Porque eu apoio Trump

Ontem numa conversa com um amigo ele perguntou como eu poderia apoiar Trump, sujeito bronco, ególatra e preconceituoso, segundo ele.

Expliquei para ele os meus motivos.

A eleição nos EUA não envolve apenas dois candidatos, com as suas qualidades e defeitos individuais. As eleições envolvem o choque entre duas visões muito diferentes de mundo e tem um peso gigantesco para o futuro de todos os habitantes da Terra, não apenas para os americanos, visto o poderio militar, econômico e cultural dos Estados Unidos.

O partido democrata hoje encampa todas as (horríveis) teses esquerdistas mais radicais. Estado gigante e ineficiente, populismo eleitoral barato em troca de bolsas, vitimismo de todo o tipo de recalcados sociais, destruição do Estado de Direito, apoio a libertinagem sexual com o objetivo de destruir a família e aumentar a dependência dos seus cidadãos ao Estado, fim do federalismo e uso das diferenças raciais, sexuais e culturais para fomentar o conflito social, o velho conceito romano de dividir para reinar. A maior intervenção estatal na economia, através de regulamentação e imposto maiores.

Nós, latino-americanos, conhecemos bem esse modelo, pois é o que nos governa há muito tempo e tem criado calamidades quando é levado ao extremo, como podemos ver na Venezuela ou em Cuba. E que quase levou o Brasil ao colapso completo.

A própria Hillary Clinton representa muito bem esses valores. Não pelas suas próprias ideias, mas pela seu desejo de poder absoluto, que no final das contas é o propósito da esquerda. O seu marido já foi presidente americano, envolto em dezenas de escândalos. Foi o segundo presidente americano a sofrer Impeachment na Câmara dos Deputados, salvando-se por pouco no Senado. O motivo do impedimento não foi o fato dele ter feito uma festinha particular com uma estagiária em plena Casa Branca, mas sim ter mentido sobre isso.

A família Clinton é a encarnação do mal dos políticos profissionais. Na sua própria biografia Hillary conta que eles saíram da Casa Branca quebrados. Poucos anos depois figuram como multi-milionários, tudo bancado por palestras e “consultorias”, sem considerar as verbas milionárias recebidas pela Fundação Clinton. Qualquer semelhança com um outro ex-presidente bandido de uma republiqueta bananeira não é mera coincidência. Também não é coincidência que todos os “clientes” da família Clinton tiveram as suas demandas prontamente atendidas em Washington.

O submundo do crime político foi muito bem retratado pela série House of Cards, onde um casal de políticos sem escrúpulos entre no jogo do poder a qualquer custo, até chegar a Casa Branca. Quem estudar um pouco a vida dos Clinton perceberá uma semelhança clara entre a ficção e a realidade do casal, que envolve mentiras em série e até mesmo mortes, como o “suicídio” do principal assessor de Hillary em 1993, na esteira de um escândalo com a Agência Oficial de Viagens presidenciais, onde foi descoberto um esquema de desvio de verbas.

Para encurtar a história, o último grande escândalo que envolveu Hillary foi com o uso de um servidor privado por ela para lidar com os e-mails do Departamento de Estado, enquanto ela foi titular da pasta. Tudo começou com a investigação do ataque terrorista em Benghazi, que resultou na morte do embaixador americano no país e outros funcionários da embaixada. O incidente ocorreu próximo das eleições presidenciais americanas, e Hillary participou de uma operação de abafamento da crise para evitar prejuízos eleitorais a Obama que concorria a reeleição. Hillary negava que se tratava de um atentado terrorista.

Posteriormente uma CPI foi montada para investigar o caso, onde foram requisitados os e-mails que Hillary trocou com outras autoridades no transcorrer do incidente. Ficou claro que sim, o governo americano montou uma operação abafa para proteger Obama. E que Hillary usava um servidor pessoal para os seus e-mails, contrariando várias regras sobre o tema. Mais, ela entregou ao congresso apenas parte dos e-mails, pois diz que os outros não entregues eram pessoais. O FBI entrou na investigação, que culminou com uma estapafúrdia coletiva de imprensa do seu diretor dizendo que Hillary cometeu sim irregularidades, mas que o FBI não pediria o seu indiciamento, o que produziu protestos até mesmo entre congressistas democratas. Para apimentar a história, o seu marido se encontrou sigilosamente com a Procuradora-Geral dos EUA, na aeronave dela. O encontro estava fora da agenda dos dois e foi revelado pela imprensa. Bill Clinton disse que apenas foi conversar “sobre os netos” com a colega democrata…

A imagem de Hillary é tão queimada que mesmo entre eleitores democratas a palavra mais citada para descrevê-la em pesquisas qualitativas feitas por consultorias eleitorais é mentirosa.

Para esses eleitores que votarão nela o mais importante é impedir a vitória de Trump, o sujeito que talvez seja alvo da maior campanha midiática de desconstrução da história.

Donald Trump não é um “cara legal”. É um empresário linha dura que já ganhou e perdeu bilhões de dólares no mercado imobiliário. Suas práticas de negócios podem ser questionadas, mas a sua capacidade de gestão não. Definitivamente ele não é um político profissional.

A personalidade narcisista e centralizadora de Trump ficou clara num show de TV chamado “O Aprendiz”, onde grupos de candidatos a um emprego tinham que cumprir certas tarefas e um deles era demitido a cada programa pelo próprio Trump, num bordão que ficou famoso: “You’re fired”.

O jeitão “bully” de Trump é usualmente tratado como um pecado imperdoável, especialmente no mundo dominado pelo politicamente correto. O fato é que ele fala algumas verdades de maneira dura e indelicada, mas que não deixam de ser verdades por isso. Por exemplo, que os imigrantes ilegais cometem mais crimes, que as feministas geralmente são feias e chatas, que a grande imprensa em geral é mentirosa e esquerdista, que ele não hesitaria em torturar um terrorista para defender vidas de americanos, entre outras coisas.

Causou forte espécie entre os progressistas americanos a proposta dele de construir um muro na fronteira com o México para evitar a entrada de ilegais ou de querer deportar os dez milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA, que os esquerdistas chamam de imigrantes “não documentados”.

Não há dúvidas sobre o caráter populista das suas falas, mas será que esse não é o caminho que sobrou para qualquer candidato ser eleito hoje em dia, depois que a esquerda conseguiu corromper todo o sistema com a destruição da educação e dos valores morais mais elevados?

Esquecendo um pouco a personalidade e pensando nos valores defendidos pelos dois lados nessa batalha, não há dúvidas que Trump defende o melhor para o mundo.

Em primeiro lugar, ele defende uma América mais forte, contrariando os interesses globalistas da esquerda. Obama passou a sua presidência praticamente se desculpando pelo “imperialismo” americano, o que obviamente foi um convite a expansão russa e ao aumento da instabilidade política no Oriente Médio.

A retomada de valores americano é exatamente o que o mundo precisa! Defesa das liberdades individuais, da descentralização do poder representada pelo federalismo, do Estado de Direito e da iniciativa individual em contraposição ao Estado controlador e paternalista. Tudo isso é defendido por Trump.

Em relação ao livre mercado há de fato deficiências no discurso de Trump, que traz um certo protecionismo comercial, mas não sei até que ponto tal postura é real ou simples discurso populista. E Hillary também apresenta um discurso protecionista.

O fato é que tanto nos EUA quanto em outros países há uma brutal desaceleração econômica nas últimas décadas. A renda da classe média americana e européia hoje é MENOR do que na década de 70! Diferentemente do que a esquerda propagada, isso não tem nada a ver com a desigualdade de renda, mas sim com o brutal crescimento do Estado ineficiente nesse período. Precisamos trabalhar cada vez mais para pagar impostos e sustentar políticos podres, representados perfeitamente no casal Clinton.

Não podemos esquecer que o próximo presidente americano terá muito poder nas mãos, pois deverá indicar de 2 a 4 novos juízes para a Suprema Corte do país. Com a cada vez maior judicialização da política, tal movimento pode ter um efeito na sociedade maior do que a própria eleição de um conservador ou de um esquerdista na presidência. Com a morte do ministro Scalia, hoje a corte está dividida em 4 a 4 entre esses dois grupos. As próximas indicações definirão a aplicação das leis pelos próximos 30 anos!

A eleição de Hillary representaria a continuidade do governo Obama, o que pode trazer uma menor volatilidade nos mercados pela manutenção do Status Quo, mas é a certeza de continuidade de uma agenda socialista que tem destruído não apenas os EUA mas o mundo.

A eleição do Trump é no mínimo um choque para o establishment e para o movimento de destruição dos valores americanos.

Como eu acredito que os Founding Fathers conseguiram criar o país mais próspero, justo e livre da história e que o exemplo americano pode servir como Farol para um mundo cada vez mais emburrecido e dominado pela esquerda, apoio a sua candidatura, apesar de não ser fã do sujeito.

A vitória de Hillary na verdade seria a consolidação da vitória de Saul Alinsky, um revolucionário esquerdista que é o pai ideológico de Obama e que foi homenageado na dissertação de Hillary.

O seu “Rules for Radicals” é a bíblia da New Left americana e foi dedicada por Alinsky a ninguém menos que Lúcifer, o primeiro radical da história segundo o autor.

É esse tipo de gente que queremos na Casa Branca?

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Leandro Ruschel’s story.