Como estudo em lugares barulhentos

Se você deseja ter um futuro melhor, precisa estudar — diziam os antigos. Pois bem, até pouco tempo isso foi uma tarefa difícil para mim. Nem sempre o espaço onde vivemos é adequado às nossas necessidades, principalmente quando o silêncio é fator primordial. Mas, não há nada que, com jeitinho, não possamos resolver.
Fora a dispersão, corrigida com ajuda de algumas técnicas, o áudio externo é outro problema a ser sanado. Este não depende de mim para ser eliminado. No entanto, posso burlar o problema. Basicamente, crio mais duas ou três camadas de sons para atacar a primeira. Isso mesmo, uso barulho para combater barulho.
A vizinhança é eclética. Assim como eu, muitos trabalham a semana toda. Mas tudo muda quando chega o fim de semana. Aos sábados ou domingos as igrejas e os bares funcionam a todo vapor. As músicas tocam sem parar e as conversas aumentam. A poluição sonora se intensifica com carros transitando e gritos de crianças. Justo quando mais preciso.
Por ene motivos, quase sempre não posso sair de casa. Seja por logística, falta de uma praça decente e etc. Então, me resta ligar o PC. A primeira coisa a fazer é colocar o fone headset no ouvido. Ele é o objeto principal, a tábua de salvação. Em seguida, “ jogo” no Google o termo “músicas para estudar”.
No resultado da busca, clico em um link qualquer do YouTube. Rigorosamente, escolho instrumentais. Se não gostar do som, coloco outro. Geralmente, eles aparecem como sugestões na barra lateral do site.
Ao encontrar o toque desejado, abro mais uma aba do navegador e procuro por “Sons natureza 3D” — os meus preferidos são os de chuva. Então, deixo os dois áudios tocando ao mesmo tempo.
Em mais ou menos cinco minutos de experiência, esqueço tudo ao redor e me vejo completamente compenetrado. É o momento em que a leitura mais flui. Consigo destacar PDFs, riscar trechos de apostilas físicas. E o melhor, render nos estudos!
O ideal seria não haver algazarra, mas como ela existe e se apresenta como um inimigo, precisa ser combatida até deixar de ser percebida. Ao escolher o som de acordo com meus critérios, a conotação mental sobre ele muda. Não é um barulho a mais, é música. É nesse momento que minha atenção se fixa. Consigo relaxar e prestar atenção. Com resiliência, vou me tornando produtivo.
Para entender um pouco mais sobre a importância da música e seus efeitos para o cérebro, recomendo o vídeo abaixo. Na entrevista concedida ao Globo Comunidade, o tema é abordado por Flávio Galvão, doutor em psicologia educacional e músico violoncelista. Confira.
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