Renúncia

Nada é real. Tudo é possível.

Eu sou tudo quanto não escolho

Sou os caminhos que não tomei, talvez até mais do que aqueles por onde andei.

Eu sou tudo o que não fiz, muito mais do que minhas escolhas.

O que abdiquei revela mais sobre quem eu sou. E, em soma, sou covarde.

Do começo ao fim.

Sou todas as brigas em que não entrei.

Todas as discussões que não tive.

Todos os amigos que não fiz.

Todas as bocas que não beijei.

Os corpos que não despi.

Sou todos os lugares aonde não fui.

Todas as noites que passei dormindo ainda estão em mim.

Sou todos os sóis que não vi nascer, nem se por.

Todas as chuvas que tomei e não dancei.

As pessoas que não ajudei ainda me assombram.

Todos os cansaços que, por preguiça, nunca senti.

Sou todas as palavras que não proferi.

Principalmente os “Eu te amo” que, até hoje, entalam a garganta.

Sou todos meus amores perdidos.

Todas as derrotas que perdidas estão por nunca sequer ter tentado.

Sou todos meus ossos quebrados, que inteiros estão por medo de ter ido mais alto.

Sou todos os medos que nunca descobri.

Sou mesmo todas as oportunidades perdidas e, por isso, sou todo arrependimento.

Sou todas as lágrimas que não verti.

Todas as dores que não senti.

Sou tudo aquilo que não escolhi fazer.

Todos os impossíveis. Todas as chances.

E, mesmo assim, tenho todo o infinito de escolhas à minha frente.

E, justamente por ser tudo aquilo que nunca tentei, ainda espero me tornar tudo aquilo que uma vez ignorei.

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