Você não precisa ser igual

O vídeo dessa semana seria sobre um tema bem mais sério que os outros que já fiz para o TV Cereja no Ombro. Por problemas técnicos, não teve atualização no canal, mas acho que posso tocar no assunto por aqui mesmo.

Há uns dias, no Snapchat (LecaLichacovski), vieram me pedir dica de estilo. Me surpreendi, fiquei feliz, lisonjeada. Mas a conversa tomou outro rumo, para algo que, eu sei, que realmente veio de mim: encontrar-se. Estilo e moda estão erroneamente ligados.

Estilo é o jeito que eu me sinto e quero transmitir.

E isso é bem mais difícil que usar a última tendência.

Quando a gente não sabe quem é, seguimos o padrão, por ser mais acessível… Mas nem sempre (aliás, raramente) a gente se encaixa. Loira, cabelo longo com ondas, alta, magra, perna fina e olhos claros. Eu não sou isso. Nem tenho como ser, por ter um biótipo extremamente diferente.

Mas é tanta imposição de padrão que, eventualmente, a gente fica mal. Eu tentava mostrar que estava bem por não ser igual através de uma fase adolescente rebelde, com bandana, muita roupa preta, pulseiras de spikes e correntes. Abracei o punk como fachada. Mas por dentro, na minha cabeça, a coisa era bem diferente.

Foi surgir o primeiro problema para toda essa falsa fortaleza desmoronar. Minha primeira paixonite de colégio me deu pé na bunda e, obviamente, a culpa era minha por ser feia, desengonçada. Fora do padrão. E isso me marcou.

Foram mais de dez anos para eu começar a me sentir bem de novo. Para o sentimento de “você é toda errada” começar a dispersar. E foi sem querer. Um belo dia, após o término de um noivado, decidi que iria cortar o cabelo. Curtinho. Não queria mais saber daquela coisa desgrenhada que vivia presa num coque vagabundo.

Quando me vi no espelho sem os cachos, eu me vi pela primeira vez em anos. Aquela era eu. Era como eu me sentia. Leve. Minha personalidade, enfim, estava conseguindo espaço na minha aparência. Eu já não me sentia mais a mesma e isso foi libertador. Um corte de cabelo foi o meu gatilho para a autodescoberta. Eu tinha 23 anos.

Passei a curtir as novas madeixas. Aprendi a me maquiar e o estilo de maquiagem de que gosto (batom escuro e rímel leve). Comecei a entender quais roupas me faziam sentir bem. Qual o corte de blusa e tipo de calça que não me faziam sentir vergonha das pernas mais grossas. Voltei a cuidar do corpo (atividade física e alimentação mais balanceada).

Foto de 2011 (22 anos) e de fevereiro deste ano, 26.

Ainda não é todo dia nem a todo momento, mas já consigo olhar no espelho e me achar bonita — no meu jeito. Sem querer ser igual ao que dizem por aí. Aliás… “impõem por aí”. E justamente por ser tanta imposição que essa tarefa é um desafio diário. Sentir-se confortável por não ser o que mandam por aí requer coragem. Mas deixa eu falar:

Não há preço que pague o que é se sentir bonita e poderosa ao sair a rua do jeito que você aprendeu e aceitou ser.

Talvez eu ainda não seja minha melhor amiga. Talvez eu ainda não consiga dizer que me ame, mas falar sobre isso abertamente já me faz tirar um peso das costas. Você não precisa ser igual. Não há nada de errado nisso. Mas é algo que só você pode decidir e mudar. Encontrar-se é sua missão para ser feliz. Esse, sim, é o amor que você precisa.