Com redução da taxa de juros e ajuda do cenário externo, bolsa se firma próxima às máximas

Lecca
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Nov 1 · 6 min read

Confira os destaques da semana na visão da Lecca

A percepção de que a reforma da Previdência está relativamente encaminhada e não deve mais ser desidratada acalmou o humor dos agentes.

Apesar de alguns rumores envolvendo o possível não cumprimento de algumas normativas preestabelecidas para o acordo comercial entre Estados Unidos e China, o mercado local encontrou fôlego para fechar a semana em alta moderada.

Segundo a maior parte dos gestores de recursos, a bolsa de valores paulistana ainda não precificou nas ações a forte queda dos juros locais. Assim, o mercado vem recalculando o valor justo dos ativos em cima de uma nova taxa de desconto. A palavra mais acertada a ser considerada é o famoso custo de oportunidade.

Desta forma, quando a taxa livre de risco (CDI/Selic) cai, existe um impacto na dívida das empresas, que muitas vezes são atreladas ao CDI, sem contar com os retornos decrescentes para os investidores que optarem por continuar investindo em ativos atrelados à taxa livre de risco.

Diante desse cenário de reprecificação dos ativos de renda variável, a bolsa de valores fechou em alta considerável de 0,77%, com índice Bovespa cotado a 108.195 mil pontos.

Taxa de desemprego fecha aos 11,8% em setembro

A taxa de desemprego é medida trimestralmente, e, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número apresentou queda de 0,2% em comparação com o trimestre encerrado em junho, mas estabilidade frente aos três meses encerrados em julho e agosto.

Na comparação sazonal com o ano de 2018, a taxa de desemprego sofreu uma leve redução de 0,1 ponto percentual. Apesar da taxa de setembro ter sido igual a de agosto e julho, houve um aumento de 100.000 mil novas vagas em setembro, somando 12,5 milhões de desempregados.

Olhando de forma setorial, a agricultura foi o segmento que somou maior registro na queda da ocupação — foram destruídas cerca de 144 mil vagas. Todos os demais setores apresentaram aumento no emprego.

A construção civil tem mostrado forte recuperação e foi o que mais teve aumento efetivo de empregados com relevância estatística. Desta forma, entre junho e setembro foram criadas 254 mil novas vagas no segmento, mas a maior parte foi de postos de trabalhos informais.

Mesmo com a queda da taxa básica de juros e com a entrada de novos recursos provenientes de investimentos estrangeiros, dados apontam para uma recuperação lenta da taxa de emprego brasileira. Além disso, as vagas são precárias.

Um estudo aponta que cerca de 39 milhões de empregados estão na informalidade, somando 41% dos 93 milhões de trabalhadores no país.

Taxa Selic atinge nova mínima história aos 5,0% a.a.

Nesta quarta-feira (30), o Banco Central do Brasil (BC) reduziu a taxa básica de juros de 5,5% para 5%, em linha com as expectativas dos economistas de mercado.

Segundo a autoridade monetária, os indicadores de atividade econômica sugerem um processo de recuperação econômica brasileira, e o Comitê de Política Monetária (Copom) prevê uma recuperação gradual.

A decisão foi unânime entre todos os membros do conselho. Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic, uma vez que a inflação subjacente apresenta cenário prospectivo.

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções para inflação do Copom situam-se em torno de 3,4% para 2019, 3,6% para 2020 e 3,5% para 2021.

Porém, o BC surpreendeu o mercado após informar em comunicado que não acredita que a taxa básica de juros da economia atinja um patamar menor que 4%, em um momento em que alguns agentes de mercado começavam a ajustar expectativas para baixo desse nível.

Além disso, o cenário externo também apoia o ciclo de flexibilização monetária no Brasil, com as principais economias globais (Estados Unidos e Zona do Euro) indicando e executando programas de recompra de títulos de curto, médio e longo prazo do setor bancário.

Debêntures incentivadas: seria a hora de resgatar dos fundos?

Os fundos de debêntures começaram a apontar captação líquida mais fraca em setembro, somando R$ 287 milhões no mês, após três meses seguidos com R$ 1 bilhão em aportes.

De janeiro a outubro, os fundos cresceram quase três vezes em número de cotistas, de 68 para 201 mil, e em patrimônio líquido, de R$ 5 bilhões para R$ 14 bilhões.

A dinâmica é bastante simples: as debêntures incentivadas são títulos de crédito corporativo que são remunerados pelo IPCA (taxa pós-fixada) + uma taxa pré-fixada. Deste modo, empresas com risco financeiro mais elevado possuem taxas pré-fixadas maiores, em vistas ao maior risco assumido por parte do debenturista (fundos e pessoas físicas em sua maioria).

Todavia, com o cenário de redução das taxas de juros, as debêntures com taxas mais elevadas, que são as mesmas que possuem risco igualmente maior, passaram a ser mais demandadas pelo mercado, movimento que faz o preço da debênture subir.

Com isso, essas debêntures ganham bastante atratividade em um cenário de queda das taxas de juros, uma vez que a taxa pré-fixada atrelada ao título passa a ser proporcionalmente maior a cada redução do CDI/Selic. No entanto, apesar de os juros ainda estarem nos 5%, o mercado já precificou uma queda para 4,5%.

Como consequência, caso o Banco Central não reduza os juros para baixo de 4,5%, e, considerando que a autoridade monetária comunicou que não pretende reduzir a taxa Selic para baixo do nível de 4,0%, os fundos podem perder boa parte da atratividade que vinham tendo com a valorização de seus títulos, decorrente da diminuição das taxas de juros.

Em suma: a relação risco x retorno mudou, e os investidores que optarem por aportar recursos nesses produtos, provavelmente, não verão retornos tão consistentes como foi percebido nos últimos 12 meses.

No exterior, dados econômicos apontam para uma recuperação econômica

Na Europa, a indústria atingiu seus melhores níveis desde março de 2017, e somou a terceira expansão consecutiva do setor no bloco. Na China, os índices industriais também apresentaram crescimento em um ritmo mais forte do que o mercado esperava, puxados principalmente pela indústria exportadora.

Nos Estados Unidos, o departamento do trabalho americano ajudou a injetar mais uma dose de otimismo na cena internacional, após a divulgação de que a economia norte-americana criou 128 mil novas vagas de trabalho em outubro, superando as expectativas dos analistas de mercado, que aguardavam a criação de 89 mil novos postos de trabalho.

Já o desemprego, subiu de 3,5% para 3,6%, e o dado foi bem visto pelo mercado, uma vez que a taxa se encontrava na mínima histórica e ameaçava pressionar a inflação e as taxas de juros no país.

Saiba mais sobre a Lecca: www.lecca.com.br

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