Feliz dia das mães (de alérgicos)

Leda Alves
May 10, 2019 · 3 min read

Então é Mais um dia das mães! Viva nós! Viva a maternidade diária, 24h por dia, 365 dias do ano!

Sou plena porque sou mãe! Porém, me vi pela primeira vez pensando e refletindo fora da casinha, ou seja, desse contexto das rotineiras comemorações do dia das mães e me dei conta de que não faço parte das comemorações rotineiras e nem tão pouco outras mães de alérgicos. Me refiro mais especificamente a alergia alimentar.

Primeiro, não podemos simplesmente ir a um restaurante com nossos filhos alérgicos, pois sempre haverá algum ingrediente na alimentação que eles não podem comer, no meu caso, leite ou algum derivado, em outros casos, ovos, soja, castanhas, glúten e por aí vai. Quando o problema não é o ingrediente em si, tem sempre contaminação por traços ou contaminação cruzada. Tem pessoas que não fazem ideia do que isso significa, mas nós, mães de alérgicos somos experts no assunto e temos verdadeiro pavor desses termos, pois um simples contato dos nossos filhos alérgicos com um alimento preparado em utensílios contaminados pela proteína a qual são alérgicos, estraga tudo. No entanto, como se trata de uma doença invisível, sendo visível quando se está em crise, nós mães, somos muitas vezes tidas por loucas, exageradas, frescas e por aí vai. Alguém se identifica ou só eu já passei por isso?

Nos ajuntamentos, nem sempre é possível estarmos, pois as vezes nem somos chamadas sob o argumento de que não comemos nada ou que nossos filhos vão ver as coisas e vão querer, “tadinho (a),” não sei você, mas me revolta essa palavra que remete a sentir pena, afinal, não precisamos de pena mas de inclusão.

O que fazemos no dia das mães? Cozinhamos, inventamos, reinventamos, experimentamos ou fazemos a marmitinha básica pra cria ou pra nós (no caso de quem ainda amamenta) e seguimos pro ajuntamento só pelo prazer das companhias, aliás, taí uma coisa que a alergia de nossos filhos nos ensina: mais vale a presença do que a comida, pois já nos acostumamos a vivermos de amor. Afinal, tudo pra nós é zero: zero leite, zero soja, zero ovo, zero glúten, e por aí vai. E o que sobra então? Ingredientes para as receitas sobram poucos, é verdade, mas o amor não sobra, transborda, dando sabor extra especial a tudo que fazemos e nos dando força pra superar aquela furada na dieta, aquele furo acidental ou o TPO (teste de provocação oral) mal sucedido.

Quando finalmente estabilizam então, ahhh, é um sonho que vira realidade, ficamos bobas, rindo o tempo todo por estarem bem, sem reações e, não posso esquecer, daquele cocô que finalmente chegou bonito. Aí é só festa! E nos damos conta de que os sacrifícios valeram e valem a pena! São coisas assim, aparentemente pequenas e bobas que se tornam nossas grandes conquistas e assim vamos construindo nossas pontes passo a passo, com dedicação e sacrifício, com empatia, com ajuda mútua, e com muita sorte, no meu caso, diria fé e bondade de Deus, com acompanhamento de profissionais sensíveis e competentes na área, do diagnóstico à cura ou tolerância. À você que já construiu sua ponte e chegou do outro lado, não nos abandone por favor! E você que assim como eu, ainda constrói a sua, vamos construir juntas, compartilhando experiências e respostas de SACs, indicando profissionais que realmente entendem do assunto, discutindo rótulos, e assim chegaremos do outro lado mais fortes, emponderadas, confiantes e acima de tudo, mais generosas e sensíveis a dor do próximo.

Enquanto não chegamos lá, brindemos o aqui e agora, pois temos esses presentes de Deus pra nos chamarem: “mãe”

Filhos, nosso maior presente!

Feliz todos os dias com ou sem alergias!

Leda Alves

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é esposa, mãe, comunicadora e defensora da conscientização da alergia alimentar.

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