A militância do textão

Após, um bom tempo de sua publicação, escutar o episódio 169 do podcast “Braincast”, da galera do B9, eu realizei a ideia de que a revolução (podemos usar essa palavra aparentemente comunista?) dos blogs ainda reverbera pela internet, mesmo que seus efeitos não são tão expressivos como eram há seis, sete anos atrás.

O sobrecarregamento de informações e cada vez mais as pessoas se individualizando, transformam e alteram as mensagens, as informações, o conteúdo que é expressado na internet, principalmente nas redes sociais. Usando aqui humildemente o teórico canadense Marshal McLuhan, a mensagem é também o meio pela qual é transmitida. Sua representatividade está ligada às alterações no meio cultural e social que a sociedade passa ao longo do tempo. Como se necessitasse atender uma demanda social.

A internet nunca vai se tornar obsoleta. Mas a tentativa de estagnar formatos de comunicação ocorrem de acordo com as remodelações que são acompanhadas pela internet e pelas redes sociais. O uso de gifs em matérias que tentam alcançar uma perspectiva jornalística, o crescimento impressionante do site Buzzfeed, no qual faz listas baseadas em buscas (palavras-chaves, spiders, levantamento qualitativo de trends) e assim, repercute o que está em evidência na internet, cooperando no agendamento, no viral de temas e âmbitos, além do conteúdo publicitário, com postagens pagos por empresas parceiras.

O “Brasil Post” usa um formato parecido com blogs de internet, até mesmo na linguagem mais dinâmica e acessível, no entanto, se estabelece como um grande portal de notícias, com apelo jovial e preciso. Claro que não é um veículo parcial (quem é, atualmente? aliás, quem foi uma vez? eu sempre desacreditei na Teoria do Espelho), mas têm um posicionamento firme e sabe direcionar sua comunicação.

Quando o ápice dos blogs aconteceu, por volta dos anos 2006, 2007, onde quase toda imprensa, esferas públicas e privadas ainda não haviam migrado para a internet, o texto era a principal ferramenta para estabelecer o contato entre o emissor e o receptor. Mas ainda estava em meios de comunicação mais populares, como a televisão, a rádio e o impresso. O processo de mudança foi gradual.

O que você pode analisar neste fato, jornalisticamente falando? Profissionais da área se transportando para a internet onde, aos poucos, a cultura do imediatismo estava começando a acontecer. Seja pela falta de tempo; pela mudança comportamental da geração de leitores que tinha acesso às novas informações ou até por comodismo que gera frustração ao se deparar com textos longos e que geram um exercício de leitura maior.

E isto traz à tona um conceito que pode ser aplicado a processos de leitura passados. As sociedades antigas, os povos antepassados, desconheciam o significado, a relevância e o poder da palavra. Seja um significado etimológico, fonético ou apenas contextual. A dificuldade era estabelecida, claro, devido a fatores como o baixo índice de alfabetização; informações sobre temas que eram voltados para uma população com embasamento cultural e intelectual (Pierre Bordieau afirmava que este distanciamento era mais evidente no ensino, pois a partir do processo educacional, se distanciava sociologicamente os grupos) e por embargos financeiros e burocráticos, sendo mais simplório, o acesso de maneira física ao meio de comunicação.

Só que eram justamente os blogs, em suas variadas plataformas (SharePoint, Blogspot, Wordpress), que trabalham seguindo esta linha. Na época do auge, ninguém se cansava, ninguém reclamava de “textão”. Pois ele era imprescindível e talvez a ferramenta mais usada por ser prática, leve (em termos digitais) e que há maior rapidez e assimilação. E também, por conta dos servidores dos blogs e das redes sociais que não suportavam outros tipos de conteúdo junto.

Com o passar do tempo, do desenvolvimento do meio e das mensagens, a sociedade foi entendendo qual era sua real necessidade, inserida na aldeia global, com relação ao acesso das mensagens, do conteúdo, da informação. Hoje as pessoas quase que por impulso se limitam a ler a geração de caracteres das chamadas das matérias para tecer “opiniões” sobre o respectivo assunto. A sociedade está cansada, com menos tempo e mais rasa. Seu conteúdo, seu embasamento, suas teorias. A limitação dentro do espaço-tempo se acende e transforma a população em meros espectadores e consumidores da informação.

Obviamente que parte deste processo de transmutação informativa se dá pelo que a própria sociedade quer ver em sua linha do tempo. É o jornalismo 140 caracteres, são os gifs representativos, são os vines. É uma linguagem, uma informação que não irá fazê-la perder tempo. Até porque, sabendo deste imenso e veloz fluxo de informações dentro da internet, que os próprios meios de comunicação não se policiam. Seja desrespeitando códigos de ética civis e jornalísticos, gramática. A rapidez do furo dispensa a revisão.

Para quem é saudosista, vivenciou a época de ouro ou que simplesmente se alimenta de informações através de blogs, o texto faz falta. A necessidade de aprofundamento que somente o discorrer de parágrafos possa ceder, embora se usem outros elementos visuais, como gráficos e ilustrações. Mas sinto que cada vez menos a sociedade possuí noção de semântica, de interpretação textual, de ao menos se esforçar para compreender a proposta do que está sendo abordado. E assim, comentar de maneira fundamentada e com bom senso — tive de citar isto porque este conceito aparenta estar fora de cogitação para a sociedade digital ultimamente — pois a liberdade de expressão que a internet possibilita não te impede de ser um bom observador e formador de opinião.

E não escrevi muito para não ser coincidentemente metódico. Ou será que não? Descubra nos próximos textões.

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