Luzes

Atmosferas cercadas por isótopos e cores invasivas, de fechos anacrônicos em ângulos difusos. O quarto pra praça, de frente ao centro de conversa matinal; o café quente, o pão caseiro, o trabalhador viúvo.

As esquinas das janelas acompanham o encontro marginal das placas azuis. Números, letras e fatos que grafitam muros e pintam sacadas frontais. É o azul que um dia, quis ter paz. E o cobre que se esqueceu da vida e morreu atravessado na obra.


Célia, amante de sessentões: “Filha, parado é o que menos é por estas bandas. Tudo tem voz, textura, seu próprio charme. Sou só o ponto de bater cartão!”.


Reginaldo, o dono do bar do rum com mel a sete reais a dose: “É a minha vida, né? Quer dizer, saí da casa de mãe que morreu têm 12 anos, pra ser infeliz. Felicidade era lá, abrir feijão e colher tomate. Aqui, recolho apenas centavos suados.”


Os postais devem sair a todo momento. Algum amor que se foi e não sabe da volta dele; os filhos a partir em estudos; os funerais de eternas canções.

Outro cigarro se acende debaixo de neon. A fumaça percorre até o prédio de trás, abandonado, que agora é centro de pesquisa nos domingos e um sebo em dois dias da semana.

O neon apagou pois o sol ruge em contravisão. O parapeito construído décadas atrás assina mais um nome na ata.

Ata oficial da efêmera placa.

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