Analogicamente Digital

Múltiplas plataformas (foto Leandro Pellizzoni)

Eu não tenho fotos de quando era pré-adolescente e sentava em frente a uma Olivetti 98 e catava milho pensando em escrever um livro. Na época, com uns 15 ou 16 anos, tinha começado a ler incentivado pelos escritos de Jim Morrinson. É, ele mesmo. Gostei tanto daquelas letras do The Doors que queria escrever também. Cheguei a escrever umas dez páginas que se perderam (ainda bem!).

Assim como fiz com Jimi Hendrix, Jimi Page e Eric Clapton (também tocava guitarra), indo conhecer a fonte onde eles beberam aquelas notas e encontrando Bud Guy, BB King, Mudy Waters, também fui buscar a fonte da inspiração de Jim e encontrei os Beatniks.

Li Kerouac, Bouroungs, Ginsberg e outros. Mas foi Kerouac que me fascinou. Li quase todos os livros dele. O resultado disso? Fui parar na faculdade de jornalismo. Encontrei lá com as máquinas de escrever, filmes fotográficos junto com os laboratórios de revelação com aquela luz vermelha tão icônica. Logo me juntei com alguns amigos e começamos a fazer fanzines.

Aí vieram os computadores nos laboratórios de editoração, de redação, fotografia digital, internet, mp3, blogs, Orkut, twitter, até chegar o facebook e reviravolta que as redes digitais fizeram nas relações entre as pessoas e no mundo da comunicação e do jornalismo.

Não me considero um dinossauro do jornalismo. Conheci pessoas que sim, considero jurássicos da fotografia e do jornalismo. Trabalhei com alguns deles até mas hoje sou mais um profissional procurando acompanhar essa loucura toda que está sendo promovida pela internet. Muitos ainda não conseguiram se encontrar na correnteza e estão à deriva. Outros muitos estão surfando tão bem, criando manobras novas, quer dizer, fazendo tendências e trazendo novos horizontes para mais próximo da gente.

Não sei se é bom mas muitos profissionais do jornalismo são polivalentes, verdadeiros canivetes suíços. Escrevem, fotografam, editam o site no wordpress, fazem postagens nas redes sociais chamando para o lançamento do novo vídeo no Youtube e mais um monte de coisas que ainda nem tem nome.

Atualmente isso se reflete nas redações também. Cada vez mais com menos gente. Opa! Peralá! Ainda existem redações? Com cada vez mais empresas/agências de um homem (ou mulher) só, somente os grandes conglomerados conseguem manter redações como conhecemos nos filmes do Super Homem ou do Homem Aranha.

Um filme que me chamou muito a atenção e que retrata essa transformação é “A Vida Secreta de Walter Mitty”, onde o cara que cuida dos negativos fotográficos é o protagonista. Já assisti umas três vezes. No filme uma grande publicação tradicional americana vai parar de circular nas bancas para ficar somente online. Esse filme já aconteceu em muitas empresas de mídia pelo Brasil.

O negócio é que o digital online é uma realidade e muitas transformações na sociedade estão acontecendo e no jornalismo também. Ainda bem porque nada pode ficar tão estático por muito tempo. E só vamos aprender a lidar com isso quando estivermos prontos? Ou a gente aprende logo ou lida sem saber. E como saber?

Nessa caminhada vamos descobrindo coisas, inventando metodologias e criando produtos e serviços. Natural em uma sociedade em transformação. Mas acredito que podemos ser mais unidos e não nos rendermos ao canibalismo desenfreado que muitos pregam. Emprego talvez não tenha mas trabalho tem muito.