Mão sem luva

Entregaria em sua mão,
o rubro sangue do meu rosto,
o amargo suor entre meus dedos.
Entregaria meu peito,
minhas nódoas e rancores,
duras pestanas em minhas retinas.

E guardaria teus beijos e risos,
serenos olhares atores,
de sina, culpa e alvorada.

Miro-te.
Trago o cigarro
no vértice,
nos côncavos conchavos.

Farto-me.
Na deflagrada rota dos seus sabores.

Chupo o caroço
de supostos prazeres,
de fruta cor-de-simulacros.

Verdade?
Entrego meu corpo aos pássaros.

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