A prisão do perfeccionismo.

Dani Ribeiro
Aug 24, 2017 · 2 min read

Quando perguntam em entrevistas: “qual é o seu grande defeito?” — Sou perfeccionista. Acredite. Sê-lo é um defeito gravíssimo.

Ok, pode não parecer, mas sou exageradamente perfeccionista. Antes eu até achava que poderia ser algo bacana na vida. Me tornava uma pessoa atenta, rápida, competitiva: ideal para a área de Marketing. No entanto, o perfeccionismo pode se tornar uma prisão até sem saída. Uma corrente que clama pela previsibilidade até do que não pode ser previsto.

Muitas vezes, eu deixo de entregar um material, ou um texto porque não acho que ele está perfeitamente adequado aos meus altos padrões. Hoje eu fui contar aqui na minha caixa de rascunhos e tenho cerca de 120 textos não publicados (inclusive este que vos fala). O desafio é tentar desenterrá-los aos poucos de forma melhorada. Afinal, como diria Bilac, um bom escritor é o ourives da palavra.

Às vezes eu acho ótimo ser como sou. Mas, na maioria das vezes é uma prisão terrível, conforme dito acima. Muito surpreendentemente, poucas coisas me chamam de fato a atenção, em decorrência dos altos padrões, também citados outrora. Isso me coloca até diante da dita síndrome do impostor, que não acredita ter capacidade de entregar um bom resultado.

Essa semiose do “ser observado” 24/7 pode ser que reforce este comportamento exageradamente milimétrico. É tão comum que a gente dê até zoom em fotos alheias no Insta para reparar alguma coisa ou tentar ler alguma coisa 300 vezes em busca de erros. No entanto, ainda bem que não existe o zoom da alma. Se houvesse, tenho certeza que aprenderíamos a ser mais humanos e a perceber que o que está na internet não é nem um terço do que somos de verdade.

Por isso, apesar de o “se comparar” a alguém estar tão em voga, vale a pena tentar não se submeter a esse excesso de padronização. Mas sim, tentar deixar uma marquinha única no mundo. Mesmo que ela não esteja sob os padrões da proporção áurea.

Sigo aprendendo. (e alinhando coisas, linhas, pensamentos, proporções, cálculos milimétricos, roteiros, planilhas)

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antropóloga no boteco e tchutchuca no bistrô. Fã de arte, de cultura e da trivialidade da vida | danielesouzarp@gmail.com

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