Decepções amorosas 3.0

Dani Ribeiro
Jul 22, 2017 · 3 min read

Lembro-me bem de quando eu tinha uns 13 anos. Foi ali que despontou a minha primeira decepção amorosa. A cena ainda é vívida: peguei um CD do Backstreet Boys e quase arranhei “I’ll never break your heart” de tanto que fiz ela tocar no microsystem. Chorei aquele ‘amor’ não correspondido e fiquei assim por bem umas duas ou três semanas sofrendo e chorando. Ah, e lamentando como a vida pode ser injusta com as adolescentes-apaixonadas.

Já se passaram 15 anos desde o fatídico dia, que fora devidamente registrado no meu diário, e o interessante é que as decepções amorosas continuam. Não da mesma forma, claro. As coisas vão ficando diferentes ao longo dos anos. Não falei melhores, falei “diferentes”. E é por isso que eu andei pensando em como acontecem as decepções amorosas na era do 3.0 no máximo compartilhamento. E aí, acontece que agora eu, além de observar os meus comportamentos, observo os das pessoas. E é cada coisa engraçada que rola. Bem naquela: seria trágico, se não fosse cômico. E pensei em escrever sobre.

Curando decepções amorosas no Tinder

Um dos meios de se curar de uma frustração amorosa é correr pro Tinder/Happn e suas relações fast-food. É uma oportunidade de conhecer gente, de sair pra tomar uma ou se pá, fazer um sexozinho maroto sem compromisso. Só que, na boa, essa combinação de decepção amorosa + apps do amor, na maioria das vezes é super desastrosa (tenho conhecimento de causa). Você já tá carente, machucado, fodido e se envolve com uma pessoa que pode ter propósitos totalmente diferentes do seu ali no app. Está aberta a temporada de aquisição do combo frustração. Tome cuidado! :)

Dando indiretas nas redes sociais

Essa é clássica. Um dos melhores jeitos de saber se alguém teve uma decepção amorosa na era 3.0 é dar uma conferida nos posts das redes sociais. Se rolou aquela indireta já pode ir perguntar pro seu amigo o que rolou. Não tem erro. E se ele falar que não é nada, desconfie: ele pode estar morrendo por dentro. Se eu puder dar uma dica nesse momento é só lembrar de que indireta nenhuma consegue te livrar de sua decepção amorosa. E mais, a melhor indireta possível ao teu ex-crush é a sua felicidade. Compartilhemos amor, emanemos paz e estejamos sempre maquiadas e lindas. ❤

Hora de lidar com o gelo ou ghosting

A nossa forma de se relacionar mudou. Não disse que foi pra pior. Tampouco para melhor. Mudou. É hora de aceitar a neutralidade das coisas e entender que as transformações também mudam a gente. Enfim, a gente precisa também aprender a lidar com “desaparecimentos” ou “gelos” que acontecem nos inúmeros apps que a gente tá imerso. Sei lá, é como se a nossa paciência para a frustração estivesse diminuída no tempo líquido em que a gente está.

Dias atrás eu li algo que resume bem a nossa geração 3.0: é a que mais fala de sexo, mas, a que menos transa.

Dani Ribeiro

Written by

antropóloga no boteco e tchutchuca no bistrô. Fã de arte, de cultura e da trivialidade da vida | danielesouzarp@gmail.com

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade