Decepções amorosas 3.0

Lembro-me bem de quando eu tinha uns 13 anos. Foi ali que despontou a minha primeira decepção amorosa. A cena ainda é vívida: peguei um CD do Backstreet Boys e quase arranhei “I’ll never break your heart” de tanto que fiz ela tocar no microsystem. Chorei aquele ‘amor’ não correspondido e fiquei assim por bem umas duas ou três semanas sofrendo e chorando. Ah, e lamentando como a vida pode ser injusta com as adolescentes-apaixonadas.
Já se passaram 15 anos desde o fatídico dia, que fora devidamente registrado no meu diário, e o interessante é que as decepções amorosas continuam. Não da mesma forma, claro. As coisas vão ficando diferentes ao longo dos anos. Não falei melhores, falei “diferentes”. E é por isso que eu andei pensando em como acontecem as decepções amorosas na era do 3.0 no máximo compartilhamento. E aí, acontece que agora eu, além de observar os meus comportamentos, observo os das pessoas. E é cada coisa engraçada que rola. Bem naquela: seria trágico, se não fosse cômico. E pensei em escrever sobre.
Curando decepções amorosas no Tinder
Um dos meios de se curar de uma frustração amorosa é correr pro Tinder/Happn e suas relações fast-food. É uma oportunidade de conhecer gente, de sair pra tomar uma ou se pá, fazer um sexozinho maroto sem compromisso. Só que, na boa, essa combinação de decepção amorosa + apps do amor, na maioria das vezes é super desastrosa (tenho conhecimento de causa). Você já tá carente, machucado, fodido e se envolve com uma pessoa que pode ter propósitos totalmente diferentes do seu ali no app. Está aberta a temporada de aquisição do combo frustração. Tome cuidado! :)
Dando indiretas nas redes sociais
Essa é clássica. Um dos melhores jeitos de saber se alguém teve uma decepção amorosa na era 3.0 é dar uma conferida nos posts das redes sociais. Se rolou aquela indireta já pode ir perguntar pro seu amigo o que rolou. Não tem erro. E se ele falar que não é nada, desconfie: ele pode estar morrendo por dentro. Se eu puder dar uma dica nesse momento é só lembrar de que indireta nenhuma consegue te livrar de sua decepção amorosa. E mais, a melhor indireta possível ao teu ex-crush é a sua felicidade. Compartilhemos amor, emanemos paz e estejamos sempre maquiadas e lindas. ❤
Hora de lidar com o gelo ou ghosting
A nossa forma de se relacionar mudou. Não disse que foi pra pior. Tampouco para melhor. Mudou. É hora de aceitar a neutralidade das coisas e entender que as transformações também mudam a gente. Enfim, a gente precisa também aprender a lidar com “desaparecimentos” ou “gelos” que acontecem nos inúmeros apps que a gente tá imerso. Sei lá, é como se a nossa paciência para a frustração estivesse diminuída no tempo líquido em que a gente está.
Dias atrás eu li algo que resume bem a nossa geração 3.0: é a que mais fala de sexo, mas, a que menos transa.
