Gostar de alguém

Algo me inquieta já faz duas semanas: o que precisamos para “gostar de alguém”? Naturalmente, penso sobre os caras que eu gosto(ei) e começo a enumerar algumas atitudes comuns a todos eles. A única característica comum é, sem dúvidas a inteligência e o humor ácido. Quanto às demais, nenhum deles, por ora, se parece. Então, por que gostar de pessoas tão diferentes?
Porque a gente não escolhe de quem gosta. É muito simples essa alquimia.
Muita gente gosta de filme argentino feat francês e tem humor ácido. Porém, falta aquele sorriso incrível, ou aquele toque de mão mais quente, ou a capacidade de rir da vida. Falta aquele abraço apertado que tem vários hormônios e químicas circundantes e um beijo que não dá vontade MESMO de parar. Essa combinação é fatal: não dá pra escolher quem vai ser essa pessoa.
É possível sim, escolher de quem não gostar. E isso não tem nada a ver com a pessoa-alvo. Diz respeito aos nossos próprios limites. Contudo, algumas pessoas continuam acorrentadas e cruzando as linhas dos limites todos os dias, o que comumente se popularizou em um relacionamento abusivo. O não-gostar é uma atitude corajosa, de entender quando o tempo acabou ou quando se deve insistir, mesmo estando por muito tempo no limiar.
A pessoa que você gosta, desde que ela não te desrespeite, irá testar os seus limites. Os seus humores. E entenderá que a convivência com todos eles fará dela uma pessoa melhor; a recíproca é verdadeira. Enquanto a transposição dos limiares for algo saudável e passível de riso, a vida se encaminha bem na direção do amor.
Quando não é, o que você suporta em nome do amor ao outro, dirá um pouco mais sobre você mesmo em relação ao seu amor próprio. Esses limites são seus. Escolha as pessoas certas para desafiá-los.
Escolha não-gostar.
