#MeuProfessorRacista

Já falei algumas vezes sobre a presença negra ser historicamente negada em ambientes acadêmicos, por séculos o negro viu “de fora” o desenvolvimento cientifico do país, hoje o que vemos é apenas uma pequena melhora com sistemas de reparação histórica, veja bem, não quero dizer que são insignificantes, mas certamente insuficientes ou razoáveis.

A academia certamente é mais um dos ambientes em que o simples fato de ser negro já te coloca em desvantagem, estou três passos atrás de qualquer aluno branco por ser negra, periférica e mulher. Chegar no ensino superior é uma grande conquista, ainda mais quando pensamos que vim de escolas públicas com ensino precário e salas super lotadas. É bem comum ser subestimada intelectualmente no âmbito educacional, as expectativas que tem quanto a mim com certeza são inferiores em relação aos meus colegas de curso. É muito claro a surpresa quando parece “inteligente demais”, é realmente óbvio que não pensavam que isso poderia vir de mim. Confesso também que a pressão para não errar dói demais, adoece.

Há exatamente 1 ano e meio atrás escrevi um texto para a Versátil RP, um texto que tratava justamente sobre as condições quanto negra e acadêmica. Claro que hoje tenho uma visão mais madura, conquistei muito de lá pra cá e bate até um orgulho olhando pra lá, é a lei natural do tempo, apesar disso a essência permanece. Seguimos lutando.
 
“Acho que essa será uma luta infinita e as vitórias que conquistamos nos permitem imaginar novas liberdades. Acredito que cada geração vai criar novos significados sobre o que é ser livre.” (Angela Davis)